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    Sonho de menino inesperadamente realizado aos 52 anos de idade Com fotos dos Irmãos Bomediano Para os de minha geração, não há como esquecer a voz empostada de Heron Domingues ao anunciar: "Aqui fala o Repórrrrterrr Esso, testemunha ocularrrr da história"! Ainda que a comparação possa vir a ofender os brios dos fãs daquele maravilhoso jornal de televisão, sua audiência, guardadas as proporções populacionais, comparava-se com grande chance de superá-la, à do atual Jornal Nacional. Mas, porquê, agora, em um fórum de pesca, venho falar nestas saudosas épocas e de um jornal que nem existe mais? Simplesmente porque foi na voz do Grande Heron Domingues, no afamado jornal, que em tenra idade ouvi pela primeira vez algo relacionado ao Xingu e seus heróis, índios e brancos, dentre estes, os lendários Irmãos Villas Bôas. Assim, vez ou outra vinham notícias daquela região, notícias estas, que me acariciavam os ouvidos, de maneira a parecer que algo mágico havia no Xingu que me causava tanta ilusão, a ponto de não raro, menino sonhador, ousar imaginar-me um dia, pisando o sagrado chão xinguano, de preferência numa aldeia indígena. Com o tempo, ao entrar na adolescência e estando em melhor condição para compreender aquilo tudo, descobri que a saga dos afamados irmãos começou em 1943, quando souberam que o governo estava montando uma expedição com o fim de desbravar parte da enorme área ainda não mapeada do Brasil Central, implantando núcleos populacionais durante sua passagem. Tal expedição foi denominada de Expedição Roncador-Xingu, partindo de Barra do Garças, que foi sua primeira base. Uma vez nela engajados, deram início à própria saga, os formidáveis Irmãos Villas Boas, não sem agregar ao grupo, algumas pessoas, muito embora anônimas como eles próprios, das mais distintas e corajosas de nosso país. E foi assim que estes três irmãos conseguiram gravar de maneira indelével seu nome na parte boa, louvável, da história de nosso País. Foram adeptos da idéia de que, diante da necessidade de se interferir na vida de seres tão especiais como os índios, deveriam fazê-lo com o máximo cuidado e respeito, de maneira que durante as expedições, a ordem era para que nenhum tiro fosse dado, ainda que sob ataque. E isso foi muito bem conduzido por Orlando. Se por um lado os índios brasileiros sofreram com a chegada do branco, por outro lado, este sofrimento foi muito menor do que poderia ter sido se a campanha não estivesse sob o comando de gente tão especial quanto os Villas Bôas. Foi então, a partir da idéia destes homens, que foi criado o Parque Nacional Indígena do Xingu, em 1961 (eu estava à época com 6 anos de idade), cujo nome atual é Parque Indígena do Xingu, com área aproximada de 2.800.000 ha, onde ficaram preservadas catorze etnias indígenas englobando cerca de 5.500 índios. Portanto, quando comecei a acompanhar o assunto, o Parque já estava implantado, mas nem por isso deixei de sentir-me presente ao ler entrevistas e relatos de Orlando e Cláudio em jornais e programas de televisão, relatando os acontecimentos e percalços pelos quais tiveram de passar desde os primeiros passos da expedição até a conclusão da idéia de criação do Parque. Sabedor de que muito difícil seria conhecer pessoalmente a uma aldeia indígena do Xingu em sua essência (não me interessava uma visita turística, isso, não!), acabei conformado, mas não esperava que um dia o destino me colocasse diante de um especial amigo que viria isso me proporcionar. Ano passado estivemos pescando no rio Xingu, hospedados no Rancho Xingu, sob a impecável direção de nosso amigo Atá. Durante minha estadia por lá, soube que houve uma expedição de alguns pescadores até a aldeia Kuikuro, mas não me atrevi a demonstrar interesse vez que sabia que isso poderia ser complicado e poderia estar trazendo alguma dificuldade para Atá. Diante desta minha observação em um relato aqui nos fóruns de pesca, Atá me disse que se eu tivesse comentado com ele, teria conhecido a aldeia naquele mesmo dia. Mais que isso, espontânea e diligentemente, comprometeu-se a levar-me à aldeia, o que muito me impressionou. E não é que o danado fez mesmo isso? Há uns seis meses avisou-me desta nossa viagem para o Rancho Xingu e que se eu fosse seria quando me faria chegar à aldeia. Achando que isso poderia ser un tanto trabalhoso agradeci a oferta, dizendo para que ele não se preocupasse com isso, mas abnegado que é, não deixou-me opção: "Bomediano, você vai à aldeia Kuikuro!" Com isso, partimos para uma viagem de uma semana, que envolvia pesca, mas que para este servidor, foi mesmo de aperfeiçoamento espiritual. O rio Xingu e seus formadores têm um aspecto único, com mata ciliar muito bonita e impressionante. As margens são, ora guardadas por matas de transição e de galeria, ora guardadas por belíssima vegetação de cerrado. São rios que proporcionam pescarias memoráveis, sempre prazerosas e não decepcionam aos que suas águas navegam. No Xingu, a vida explode! Uma hora, oferece um peixe, outra hora, oferece curiosas imagens de animais. Quando não se vislumbra nada mais de especial, vem aos nossos sentidos suave e distinto perfume de flores e se as vemos somos agraciados com um show de cores. E se não vem um determinado perfume, outro comparece; e se estes se ausentam, vêm imagens de grandes e maravilhosos jatobás e cambarás. Se estes não comparecem, cuida a Diligente Mãe Natureza Xinguana de criar algum fato novo, sempre distinto, fazendo passar à nossa frente, algumas araras ou outras aves. Ah, mas que lugar especial! Eis porque não há monotonia naquelas paragens: A gratificante imagem de um jatobá – Hymanaea stilbocarpa. Pela manhã o rio se cobre de neblina por conta do frio que faz, mas algumas horas depois, o calor já é de matar! A fauna é de espetáculo. Aqui, um lagarto sinimbu ou iguana – Iguana iguana. Uma família de ariranhas na porta de sua toca Um macaco-prego num jatobá Jacarés não faltam Umas paisagens mais do rio Kuluene, Sete de Setembro e Xingu Na pescaria, sacamos todos, muitos peixes: tucunarés, bicudas, cachorras cacharas, jurupenséns, jurupocas, corvinas, matrinxãs, piranhas e outros mais. Não juntarei todas as fotos porque são muitas, mesmo, de muitos peixes, sobretudo de tucunarés! Mario, meu irmão, teve sua isca enroscada em um grande poraquê, de maneira que retiramos o anzol com muito cuidado. Creio que com estas fotos conseguirei expressar melhor o que passamos: Alguns dos muitos Tucunas capturados Outros peixes Nosso guia, Pedro, Grande Caboclo! E foi durante a pescaria na tarde da segunda-feira que vimos aproximar-se de nós um barco trazendo D. Zuleika, esposa de Atá. Pela especial pessoa que é, somente sua presença já nos trazia um gosto, mas ela ainda portava a notícia de que no dia seguinte iríamos à aldeia! O coração levou um impacto, de maneira que andou batendo irregularmente a ponto de fazer-se sentir alguma arritmia. E foi assim que recebi aquela notícia! E foi também com olhos encharcados que agradeci, percebendo que a hora se aproximava... Ô caipira danado de besta! Desgramado de coração mole! A única coisa que não estava perfeita é que o Grande Atá não nos acompanharia. Quem me levaria até lá seria o Grande Oscar, não menos diligente que o primeiro! A noite foi das mais longas que passei em minha vida! Maldição de relógio que insistia em demorar mais que o normal para fazer a contagem do tempo. Mas inexorável, o tempo passa e, ainda que a noite possa ter parecido uma eternidade, chegara a hora! Partimos bem cedo para tentar ver alguns animais nas vastas pastagens naturais das terras xinguanas. Uma coisa que muito me impressionou foi saber que nosso amigo Atá preferiu deixar suas terras da mesma maneira que sempre estiveram, ou seja, estão preservadas. Desta maneira, dentro da área podem ser avistadas grandes planícies com pastagens naturais, de vários tons de cores, áreas de cerrado denso e de matas de transição, com imensos buritizais nas áreas alagadas. Um ecosistema perfeitamente integrado. No caminho uma majestosa concentração de buritis (Mauritia vinifera) As grandes planícies de pastagem nativa da região do Xingu Ainda que a foto não lhe faça justiça, não resisti em fotografar esta planta bastante rara. Vimos também alguns animais como estes Chegamos à primeira aldeia, chamada Paraíso e que está ainda em implantação, cujas características diferem um pouco das originais, mas se por um lado estas características interferissem na imagem das casas, por outro lado, nada retirava das pessoas suas características índias, de maneira que ao chegarmos já se podia notar ali, a hospitalidade dos índios. Confesso que neste momento senti algo de desapontamento, pois a imagem além de não corresponder à esperada, não era também agradável. Longe de assemelhar-se a uma aldeia indígena, parecia mais um assentamento de pessoas sem-terra, muito desorganizada, aparentando muito pobre. Mas para compensar, as especiais pessoas que ali vivem contribuiram sobremaneira para afastar de vez esta primeira má impressão. Os índios se aproximam Uma indiazinha muito bonita com nome de branca: Mariana. A memória me trai, mas creio que esta linda menida seja Irmã de Mariana Um garoto com bastante intimidade com a máquina fotográfica. Ao fundo, meu amigo Carlos Alberto Santoro Com Ausuki, um índio bastante atencioso, com o qual já havíamos conversado na pousada. Importando-me menos com fotografias e centrando-me mais na obtenção de conhecimento, indaguei sobre alguns costumes e perguntei se tinham milho índio para que me arrumassem algumas sementes. Prontamente, uma índia, Kahalá, correu buscar uma espiga oferecendo-me com viva alegria nos olhos. Aproveitei então, para saber mais sobre ela. Casada com Nahum, terceiro cacique da aldeia em implantação, vive ali com sua irmã, Anaí e são filhas do Cacique Yacalo, da Aldeia Kuikuro, que iríamos visitar. As índias Anaí e Kahalá, filhas de Yacalo, cacique da aldeia Kuikuro Pediu-me Kahalá que portasse um recado a seu pai, dizendo que estava tudo bem com ela e a irmã. A estrada apresentava trechos, que embora acidentados como este, não ofereceram maiores entraves que o devido cuidado na passagem Partindo da aldeia Paraíso, após mais uma hora de viagem chegamos à Aldeia Kuikuro. Logo ao entrar na pista de pouso, este incomparável amigo, Oscar me avisava para preparar o coração pela imagem que iria ver. Ah, mas já era tarde! O desgramado do coração já batia todo errado de novo! A fala recusava a sair e quando saía, falseava! E foi com tremedeira que adentrei a aldeia, sem nenhuma vergonha de sentir lágrimas brotarem dos olhos. Afinal, aquele menino, agora com 52 anos de idade, realizara seu sonho! E foi com um abraço que agradeci a Oscar, pois ele, conjuntamente com Atá, é que me proporcionaram aquilo tudo! Índios apareciam de todos os lados, sempre com o corpo muito bem decorado com tinta extraída de urucum e jenipapo, com um colorido excepcional. Primeiro precisei passar por um período de adaptação e assimilação da enorme quantidade de informação visual que meu cérebro tinha de processar, o que levou alguns minutos. Crianças "brotaram" de todos os sítios! Que rostinhos lindos tinham! As ocas são enormes! Apesar de já as conhecer de vídeos e filmes documentários, jamais imaginei que fossem tão gigantescas! O engenhoso sistema de construção é surpreendente! Não usam nada do homem branco, senão apenas amarrações nas madeiras. Logo em seguida, vimo-nos seguindo Yacalo que nos ciceroneava pela aldeia fornecendo informações genéricas. Levou-nos a uma casa de alvenaria – a única da aldeia – que servirá de sede para uma ONG que estão criando eles próprios. Ali, fez-nos uma interessante palestra audio-visual, que muito ajudou a compreender a situação dos Kuikuros no momento. Aproveitei para conversar mais detalhadamente com os dois índios professores da aldeia, recebendo com muito gosto a notícia que, apesar de levar ensinamentos como matemática e língua portuguêsa aos indiozinhos, levam também a cultura ancestral, com ensinamentos da lingua Kuikuro transcrita para a grafia que conhecemos e das tradições da aldeia. Depois disso, ficamos livres para andar pela aldeia, mas novamente centrando minha presença em obter informações, passei a conversar com Yacalo, cuidando, primeiro de desfazer-me do recado que portava. Contente com as notícias da filhas, agradeceu-me pela informação e convidou-nos a adentrar sua oca. Recebeu-nos em sua casa, como se estivéssemos em nossas próprias! Enquanto os demais saíram para ver a festa, permaneci sentado, conversando com o impressionante cacique por umas duas horas seguidas, quando aproveitei para retirar todas as informações possíveis sobre a vida índia. Uma coisa maravilhosa! Yacalo, ao contrário da impressão que as fotos possam causar é um homem de inigualável simpatia e educação. Em verdade, o que pude perceber é que os índios são gente especialíssima, sem par! Quisera eu ter a metade de presença de espírito que tem um índio! Mas, enfim, também deixei algumas recomendações muito especiais, sobre como os índios devem levar seu contato com os brancos e desta interação não restarem tão prejudicados. Ele apreciou bastante minhas ideias e eu resultei bastante feliz por ter podido deixar um pouquinho de contribuição para eles. Sempre guardarei esta especial foto como recordação pela alegria com que nos conhecemos, Yacalo e este servidor. Enquanto conversávamos, as duas mulheres do Cacique preparavam comida, especialmente beiju e peixe assado. Aqui, Agahuvuru, uma delas, mãe de Kahala (da Aldeia Paraíso), preparando a mandioca enquanto a tapioca já pronta assava no fogo. Ao lado dela, Ao mesmo tempo, Arifuá, a segunda mulher de Yacalo, preparava peixes para nosso almoço e ao mesmo tempo também preparava a mandioca para refeições futuras. Enquanto conversávamos a oca foi se enchendo de gente, uns a ouvir-nos, outros simplesmente para nos observar. Índias e seus filhos se aproximavam Outras simplesmente continuavam sua tarefa diária, mas sempre de ouvidos atentos. Enquanto turma se atentava em nossa conversa, outra turma se entendia com meus amigos, dentre eles, Betinho, que também muito apreciou a possibilidade de conhecer aquela gente sensacional. Com a chegada de mais alguns companheiros que andaram fotografando a dança, almoçamos peixe e beiju. Ainda que esta refeição fuja totalmente dos padrões de nossa alimentação usual, comida é coisa sagrada e não pode ser recusada, de maneira que fartamo-nos, principalmente de beiju, que é algo simplesmente delicioso. E com este almoço, senti-me um pouquinho índio! Lá fora, a festa já corria solta, mas eu acabei praticamente sem fotos, já que fiquei conversando com Yakalo e Família: Esta linda indiazinha surpreendeu-me olhando fixamente para a câmera, de maneira a render-me uma das melhores fotos Esta outra, simplesmente linda, estava pronta para a festa Yacalo mostrando uma foto onde se pode ver seu falecido pai e a sua mulher, Agahuvuru, ainda jovem. Vejam o colar que leva ao pescoço, feito de unhas de onças. Este colar é de uso restrito do Cacique! Como tudo que é bom dura pouco, chegou a hora da partida, mas como se não bastasse tudo o que aqui relatei, este dia ainda me reservava um mágico momento mais! Na volta, quando paramos novamente na Aldeia Paraíso, novamente os índios juntaram-se a nós e dentre todos, ouvi chamarem meu nome! Tratava-se Kahalá, filha de Yacalo de quem portei a mensagem para o pai. Vinha acompanhada da irmã Anaí e do marido, Nahum. Disse-lhe que havia passado seu recado para Yacalo e que dela ele falou que gosta muito! Com um belíssimo sorriso pediu-me para aguardar, saindo às pressas para buscar algo em sua casa. E com o mesmo sorriso, retornou trazendo-me uma esteira de presente! Ainda que tentasse disfarçar, este danado deste coração andou falhando novamente e foi com os olhos rasos d'água que lhe agradeci dizendo que nada tinha naquele momento para retribuir, mas perguntei se poderia dar-lhe um abraço e um beijo, sem sequer pensar se isso poderia vir a ser um problema, afinal de contas eu não conhecia aquela gente, de maneira que com isso, arrisquei-me a arrumar uma bruta encrenca. Mas que coisa mais bela é o espírito humano, que nos permite reconhecer manifestações sinceras de emoção, não importando muito se somos índios, brancos, pobres, ricos, reis, religiosos, escritores, etc., pois ela... aceitou! E ao dar-lhe um abraço e um beijo fui retribuído, além de receber também um abraço do marido! Aquilo foi simplesmente sensacional! Até agora me emociono ao escrever! Saí de lá convicto de que os índios são as pessoas mais estupendas que o Senhor do Universo me proporcionou a chance de conhecer. Já sinto saudades daquela gente tão especial! Deus meu! Pudera eu ter uma pontinha de conhecimento que têm eles sobre a vida e o espírito humano e meu coração estaria mil vezes mais feliz! Bem, este dia foi um dos melhores de minha vida! Agora posso dizer que entre os índios tenho alguns novos amigos, muito, muito especiais. Ficamos acertados de nos encontrarmos quando virem para São Paulo em 2008. Depois deste dia seguimos pescando por mais três dias, mas então, nada mais poderia superar a overdose de emoção que me proporcionou a visita aos índios! Creio que posso dizer o mesmo em nome de meu fantástico irmão Mario, cujo coração também andou "falhando" na aldeia! No sábado de manhã prestei minha homenagem aos rios xinguanos fazendo um agradecimento na barranca do Kuluene, no Rancho Xingu, pedindo às Forças Maiores do Universo para preservar aquilo tudo e sua gente maravilhosa. Colhi mais um pouquinho de terra para minha coleção e despedi-me do lugar. Terminada a jornada, veio a hora de voltar para casa, voltando com espírito renovado, um pouco índio e gratificantemente menos "civilizado". Bom, amigos, agradeço a todos que tiveram paciência de ler até aqui. A todos do grupo que me acompanharam na viagem, meus sinceros agradecimentos, sem deixar de dizer que a mim me encantaram pela tremenda capacidade de boníssima convivência pela qual passamos. Contudo, restam duas homenagens. Por mais que escreva não conseguirei fazer justiça a um merecimento. No entanto, tentarei! Devo então, muito, mas muito mesmo, agradecer a este homem: Atahualpa Catalán, o Grande Atá, por tudo que se empenhou para fazer com que minha visita aos índios se transformasse de um simples sonho de um menino em uma verdadeira aventura de um pescador cinquentão! Muito Grato, Grande Atá, amigo meu! Que o Grande Criador, Senhor do Universo, abençoe a você, sua família e à sua estupenda pousada. Outro caboclo a quem fiquei muito devendo, foi meu amigo Oscar! Muito grato Grande Oscar, que foi o "encarregado" de nos levar, a mim e meu irmão, até aquele paraíso e que soube muito bem assimilar o que se passava em meu peito naquele dia. Valeu, Grande Oscar! Espero que gostem do relato, pessoal! Bome
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    Com tanta coisa ocorrendo me sinto na obrigação de ajudar algumas pessoas que acham que estão comprando um bom caniço mais na verdade estão se enganando e tendo prejuízos. Não se baseie nos gostos dos colegas, defina o seu estilo e compre apenas o que realmente se encaixa nele, não por ser novidade ou achar a 10ª maravilha do mundo. O que devemos analisar ao comprar um caniço? 1 – Se a empresa que está fornecendo é idônea; 2 – Se já existem registros no mercado fornecidos por usuários; 3 – Consulte um profissional da área, ele vai avaliar o seu gosto pessoal e lhe indicar o melhor; 4 – Componentes, não abra mão de Passadores e Reel Seat das marcas Fuji, Alps, ou Pacific Bay. Não é frescura é durabilidade. 5 – Caniços híbridos devem receber uma atenção mais especial, uma emenda mal feita vai gerar problemas. Assunto pode ser conferido em http://campospesca.blogspot.com.br/2015/03/quebra-de-canicos-enxertados.html 6 - Verifique a montagem e disposição dos passadores e reel seat se estão dentro das especificações técnicas do fabricante. Responda as seguintes perguntas pensando no caniço desejado. 1 – Para qual distância deseja o caniço? A – Até 50 Metros. B – Entre 51 e 100 Metros. C – Entre 100 e 120 Metros. D – Acima de 120 Metros. 2 – Qual chumbo deseja utilizar? A – Até 50 gr. B – Entre 60 e 80 gr. C – Entre 90 e 120 gr. D – Acima de 120 gr. EX: 135/140 gr. 3 – Qual bitola de linha pretende utilizar? A – Até 0,20mm. B – Entre 0,20mm a 0,25mm. C – Entre 0,25mm e 0,30mm. D – Acima de 0,30mm. 4 – Qual o seu estilo de arremesso? A – Overhead Cast (Machadada). B – Brighton Cast (Lateral). C – Off The Ground Cast – OTG. D – Pendulum Cast (Pendulo). 5 – Como você se classifica? A – Arremessa forte, sendo ágil e com força. B – Arremessa de forma progressiva, carregando o caniço para aproveitar ao máximo dele. C – Arremessa de forma técnica. Ex: Letras B e C da pergunta de Nº 4. D – Arremessa de qualquer forma. Avaliações Respostas: 1)A 2)A 3)A 4)A ou B 5)B ou C Avaliação: Você procura um caniço de beirada entre 2.70 a 3.30 metros, de ação rápida, de preferência híbrida ou bastante sensível, para pescar bem na beirada em busca dos peixes que comem no barranco. Respostas: 1)B 2)B 3)A ou B 4)A ou B 5)B ou C Avaliação: Procura um caniço entre 3.50 a 4 metros de ação média para rápida capaz de erguer a linha sobre as primeiras ondas a fim de pescar na espuma entre o segundo e terceiro canal. Se na questão 3 você respondeu B, significa que está inseguro quanto a linha ou está a procura de um peixe maior. Respostas: 1)C 2)C 3)A ou B 4)A ou B 5)B ou C Avaliação: Gosta de pescar alternadamente ao fundo e meia agua. Você procura um caniço versátil de 4.20 a 4.50 metros que lhe proporcione sensibilidade a longa distância. Se na questão 3 respondeu C ou D está inseguro quanto a linha e vai perder distância no arremesso e vai sair da direção devido ao arrasto da corrente, diminua a bitola da linha para ganhar desempenho. Respostas: 1)D 2)D 3)A ou B 4)A ou B 5)D Avaliação: Desculpe a expressão, mas dentro dessas características você procura um cabo de vassoura. Não pelas respostas das questões 1,2,3,4 mas pela 5 resposta D. Tente se especializar mais em um tipo de arremesso mesmo que o mais simples, desta forma você vai garantir um melhor resultado, mantendo a integridade da isca durante o arremesso e obtendo mais precisão. Tente abaixar a bitola da linha, terá mais sucesso. Respostas: 1)D 2)D 3)A ou B 4)C ou D 5)B Avaliação: Você não precisa de ajuda, já é técnico o suficiente para escolher sozinho seu caniço, mas tente refazer as perguntas e responder sinceramente, fale a verdade praia mim. Brincadeira pessoal só pra descontrair.
  3. 10 points
    Tucunarés e Trairões na Pousada Rio Suiá-Miçu Com fotos de Domingos Fiorante Bomediano (Bome), Mario Bomediano e Mario Bomediano Júnior A determinado momento, mais ou menos mil e trezentos quilômetros desde nossa partida, já se podia avistar, ainda lá no longínquo horizonte o peculiar promontório que àquela altura da viagem buscávamos avistar. Ainda longe demais para demonstrar sua real grandeza, já resultava capaz de promover alegria nos corações de quem conhece e admira aquelas paragens. No entanto, algum tempo mais tarde, já desafiando o céu, bem acima do trecho de estrada onde estávamos, revelava-se de forma esplendorosa o ponto mais conhecido e, talvez o mais bonito também, da fabulosa Serra do Roncador. A Serra do Roncador vista desde a estrada Das vezes que viajamos para pescar na emblemática região do Xingu, este foi o ponto eleito como “marco” para a jornada. Primeiro, por sua inconfundível e incomparável beleza, para em seguida, proporcionar a deliciosa percepção de estarmos mais que a meio caminho do destino, não sem deixar evidente que a partir dali tudo passaria a vir diferente do que estamos acostumados no dia a dia das grandes cidades. Foi então que com muita alegria e expectativa, ultrapassamos aquele trecho da estrada que remonta à Grande Aventura demarcada pelos formidáveis Irmãos Villas Boas, iniciando-se na década de quarenta, estendendo-se pela década de cinquenta e, em continuação, resultar na criação, em 1961, do Parque Nacional do Xingu, que fica vizinho ao local onde íamos pescar. Com isso, cada quilômetro conquistado levava-nos para mais perto, em direção a uma pousada cravada no meio da mata amazônica, no Município de Querência, Estado do Mato Grosso, num trecho bastante preservado e intocado de mata ao lado da Reserva do parque. A Chegada Após sairmos de Querência, passamos por uma estrada de terra batida de cerca de 170 Km, cuja parte inicial é sempre uma larga estrada margeando imensas áreas de plantações, sempre ao lado de imensas áreas de reserva legal de mata, com muitas emas a pastar, até se chegar a um ponto em que se adentra um estreito trecho final, de cerca de 20 Km, totalmente dentro da mata. Algo bastante peculiar e de beleza indescritível! A larga estrada de terra, enquanto adentra as fazendas e atravessa a mata de reserva entre elas Abaixo, o contraste entre as planícies aradas e a mata de reserva à esquerda e ao fundo, no longínquo horizonte No final do trecho, em uma clareira na margem do lendário Rio Suiá-Miçu, revela-se a Pousada Rio Suiá-Miçu, um empreendimento arrojado resultante do sonho de um mineiro muito dedicado, Euler Vieira, que não mede esforços no sentido de proporcionar uma jornada inesquecível para seus clientes e amigos. Recebidos pelo amigo e, depois de prazerosa conversa, fomos direcionados para o apartamento, recebendo a atenção de todos e orientados de como tudo ali funciona, deixando clara a preocupação em bem atender. Nossa jornada começaria no dia seguinte, de sorte que o resto do dia foi dedicado a preparar o material conforme as prévias orientações do guia Edem Rocha, muito bom e atencioso. Nos dias em que lá estivemos desfrutamos de estadia em um lugar muito especial, ademais de desfrutar também de farta pesca e é sobre isso que passamos a relatar, para no final mostrar a pousada e suas acomodações. A equipe Bomediano Mario Mario Júnior O Local e Suas Particularidades Afluente do Rio Xingu, o Rio Suiá-Miçu segue o padrão do caudal maior para o qual contribui, parecendo manter as mesmas características quanto ao bioma a que pertencem. Contudo, a região da pousada, percebe-se bastante preservada, quando então a mata ciliar não se restringe a metros mas sim a quilômetros de extensão (vide vídeo de imagens aéreas), vez que de ciliar passa a extensa mata a partir das margens. Há variações de mata alta para cerradão, conforme o trecho de rio, mas ao menos até a parte mais acima, do Rio Paranaíba, que está a mais de 50 quilômetros, não há presença de fazendas ou desmatamentos. Nesta parte, nota-se que já houve exploração de madeira no passado, mas a mata segue lá e parece estar revigorada. O amanhecer é sempre muito bonito, deixando saudades Abaixo, uma paisagem no Rio Paranaíba e mais abaixo um lago de lá. Neste lago acertamos muitos e bons tucunarés logo na entrada Por outro lado, descendo o rio a partir da pousada, torna-se ainda mais preservado, vez que por aí se vai ao Parque Nacional do Xingu e a primeira aldeia que se encontra é a dos formidáveis Índios Suiá. Estes, em razão da proximidade e da boa acolhida na pousada, lá comparecem diariamente para vender artesanato. A pesca vai permitida até determinado ponto, bem antes da aldeia, que deve ser respeitado e jamais ultrapassado. Obviamente que por lá há muito de flora e fauna! A primeira se desnuda nas margens demonstrando seu frescor, beleza e perfumes. Já no caso da fauna, em razão da enorme área de mata muito densa, os animais pouco se deixam avistar, sendo que os mais presentes são sempre os jacarés e uma miríade de aves, com destaque para o “capitão-do-mato” e seu alto pio característico. À exceção de capivaras, bastante mais difíceis são os mamíferos, mas alguma que outra coisa mais rara sempre se deixa ver, apesar de nunca conseguir fotografar em razão da esperteza deles, mas a prova está lá, nas margens, na forma das diversas pegadas, tanto pequenas quanto de maior porte. Assim, ainda tivemos a sorte de avistar um casal de raposinhas do campo e um pequeno veado-catingueiro. Os jacarés buscam insistentemente atacar as iscas de superfície Os Peixes e as Possibilidades de Captura Conforme a Época do Ano A pousada é bastante conhecida pelos seus trairões, mas o Rio Suiá Miçu é pródigo em espécies, sendo morada não só de trairões amazônicos, mas também de tucunarés, cachorras-largas, cachorras-facão, cachorras-gato, matrinxãs e bicudas entre os de escama e, de pirararas, cacharas, barbados e palmitos entre as espécies de couro. Todas estas espécies rendem brigas memoráveis! A espécie de tucunaré presente é a Cichla melaniae, muito bonita, esportiva e abundante e os peixes se deixam capturar muito próximos à pousada, o que torna a jornada bastante prazerosa, mas o que impressiona mesmo é a maciça presença de trairões amazônicos (Hoplias aimara), quando até mesmo às portas da pousada é possível capturar grandes exemplares. A disponibilidade de algumas espécies varia na medida em que varia o nível das águas, de sorte que com o rio cheio, maiores serão as chances de capturas de peixes de couro e também de matrinxãs. Os tucunarés, sobretudo os grandes, estarão mais fáceis de se capturar quando se estabelecem condições de se adentrar lagoas marginais somente acessíveis com o nível de água mais alto. Contudo, a exemplo dos trairões é uma espécie disponível em todo o rio durante o ano todo. Lá estivemos em final de temporada, no mês de setembro, com o rio já sem acesso às lagoas marginais, mas pudemos empreender espantosa jornada com muitas capturas de trairões e tucunarés. Assim, em razão de estes dois peixes estarem muito ativos na época, centramos nossas ações neles. A Jornada Mesmo estando em três pescadores no barco, ainda assim, obtivemos muitas capturas de tucunarés por pescador, o que denuncia uma ótima semana de pesca. Diariamente se capturavam dezenas de peixes desta espécie por pescador, mas segundo o guia, a época desfavorecia a presença de peixes de grande porte. Até onde sabemos, a espécie melaniae, não é mesmo de atingir grande porte, mas supera facilmente os 50 cm de comprimento, bem como, pode superar 4 Kg de peso, mas na nossa semana nem mesmo os demais pescadores conseguiram ultrapassar os 3 Kg. Coisas da época, com certeza! No nosso barco os maiores exemplares capturados na semana ficaram na faixa de 2,5 Kg, o que já nos rendeu grande alegria. O mesmo peixe mais de perto: Quanto aos trairões, houve variações na oferta conforme o dia e condições, havendo dias fartura de peixes menores, variando de 2 Kg a 3 Kg. Contudo, peixes acima de 4 Kg saíram poucos por dia, mas nunca deixaram de comparecer. Nossos maiores ficaram em torno de 6 Kg, alguns um pouco mais, outros pouco menos, muito embora durante nossa estada, outras equipes que também lá estavam, tenham obtido capturas de peixes acima de 10 Kg. Os trairões não são difíceis de se encontrar, bastando insistir em pontos onde hajam pedras ou troncos nas margens do rio. Sua forma de ataque às iscas é bastante instigadora, vez que no caso de artificiais, vêm por baixo, de boca aberta para abocanhar a isca, de sorte que quando não erram, já no primeiro instante o pescador é brindado com um belo salto, para, em seguida, ser requisitado na maestria para manter o peixe na linha e resultar com uma bela foto. Que bocarra, eh! O mesmo peixe: Mais duas do mesmo peixe: Já pesquei trairões, mas confesso que nesta quantidade e qualidade, jamais! Foi sensacional! Havia a possibilidade de pesca de peixes de couro, apesar do baixo nível das águas, quando este tipo de pesca vem um pouco prejudicado por lá, de sorte que preferimos descartar, mas quem se dedicou a esta modalidade também obteve sucesso. Houve até a captura de uma pirarara de 17 Kg no próprio tablado de embarque e desembarque dos barcos da pousada, onde acaba sendo uma ceva municiada diariamente. Segundo apuramos isso é comum por lá. Outros peixes sobrevieram de forma inesperada, vez que nossa meta não eram eles, mas estando em um local de alta piscosidade, com provocantes iscas na água, sempre resulta alguma captura, mas foram poucas as capturas dignas de fotos. Diariamente se decidia se íamos mais longe ou não, conforme a disponibilidade de peixes, de maneira que em dois dias resolvemos não retornar à pousada para almoçar, quando então o guia levou boa carne para um churrasco na barranca do rio. Já existem pontos nas margens em que os guias já deixam meios para se acender um fogo. Esteve muito bom! Os dias de churrascos na barranca A Formidável Pousada Rio Suiá-Miçu Uma vez estando em um local tão ermo e afastado, resta esperar que um empreendimento do ramo nos atenda de maneira a trazer-nos sucesso na jornada, bem como tenha meios de poder propiciar o conforto ao pescador para a devida recuperação das energias ao final do “duro” dia de “trabalho”. A Pousada está em um local privilegiado! Única no local, com quilômetros de separação da civilização, um rio maravilhoso, com muita mata ciliar e de entorno, algo bastante valioso a dias de hoje. Com estas características, se poderia pensar em grande dificuldades para acessar o local, mas ao contrário, é até relativamente fácil, desde que se observe com atenção o mapa fornecido pela pousada. A forma de tarifa é “All-inclusive”, quando então, uma vez adquirido o pacote de pesca, tudo o que ali se vai consumir já está cobrado, seja em termos de alimentação e bebidas, seja em termos de serviços de guia, barco, gasolina e iscas. Porém há exceções, como é o caso de bebidas destiladas e serviços de lavanderia para artigos pessoais. O formato da pousada é com 12 quartos rodeando o grande quiosque central e a piscina. Os quartos são equipados com aparelhos de ar-condicionado, geladeira e banheiro com chuveiro de água quente. Em todos os quartos, bem como na área da pousada funciona rede wi-fi, algo muito requisitado nos dias atuais e que foi bastante útil , pois nos dias em que lá ficamos sempre pudemos contatar a Família, sem problemas de comunicação. Uma visão aérea da pousada (vídeo fornecido por Euler) e, mais abaixo, algumas fotos Além do restaurante, rigorosamente limpo e totalmente envidraçado, conta também com um quiosque central onde os pescadores podem reunir-se à noite, antes ou depois do jantar, para aquele bate-papo, contando e conferindo as conquistas do dia, bem como aproveitar para jogar baralho, tomando uma água, um refrigerante ou uma cerveja, sempre muito à vontade. No final das jornadas diárias, ia uma "branquinha" pra balancear um pouco a adrenalina. Na verdade assaltamos a garrafa particular do Euler! Os Guias e os Barcos A pousada conta com bons barcos de pesca, bem equipados com motores de popa e motores elétricos, conduzidos por guias treinados para bom atendimento. Nós fomos atendidos pelo ótimo guia Edem Rocha, caboclo bom, muito educado e bastante conhecedor das características de pesca da região, o que contribuiu bastante para o sucesso de nossa jornada! Impressões Finais e Agradecimentos Por fim, destacar nossa impressão sobre o empreendimento e o local onde pescamos, para deixar gravado que vale a pena ir pra lá, seja pela pesca, meta principal, seja pelo turismo, seja pela oportunidade de conhecer um rio maravilhoso, que teve grande importância na história da conquista do oeste em nosso país, seja pela chance de conhecer um pedaço de mata ainda bastante preservada. Agradecemos muito ao idealizador do arrojado projeto, Euler Vieira, nosso anfitrião, que cuida de tudo como um maestro, agradecendo também à sua formidável equipe, sempre atenta à menor de nossas necessidades. Foi tão bom que logo lá estaremos de volta, com certeza! Acesse a página web da pousada: http://www.suiamicu.com/website/ Equipamentos Adequados Varas Para os tucunarés: Varas de 5,6 a 6,0 pés de comprimento, de ação rápida, ou médio para rápida, para linhas de 8 a 14 libras ou um pouco mais fortes, de 10 a 17 libras. Para os trairões: A mesma vara de 10 a 17 libras, podendo uma um pouco mais forte, de 12 a 20 libras, sobretudo para o caso de uso de isca natural Iscas Artificiais, tanto para os tucunarés quanto para os trairões: À não ser no caso dos trairões que, em se tratando de artificiais, somente entraram em iscas de superfície, para os tucunarés não houve destaque para uma isca em especial, de maneira que funcionaram muito bem, iscas de superfícies de diversas marcas e modelos, de tamanho máximo de 12 cm, alternando-se com iscas de meia-água e de sub-superfície. Embora tenhamos utilizado mais as iscas de cerca de 9 cm, houve momentos em que a diminuição do tamanho foi fundamental para o sucesso. Inclusive, um dos maiores tucunarés saiu justamente numa curisco de 7 cm. Deixamos de usar jig-heads, mas com certeza funcionam de mesmo modo! Alternando Iscas Entre Artificiais e Naturais para o Caso dos Trairões: Nossa intenção foi de focar apenas nas iscas artificiais, o que foi feito com os tucunarés, que estavam bastante ativos, resultando em muitas capturas de peixes variados em tamanhos e cores. Mas no caso dos trairões acabamos por decidir em alternar entre iscas artificiais e naturais, vez que só nas artificiais, ao menos naquela semana, poucas ações resultavam e, quando resultavam, erravam muito as iscas de superfície. Por outro lado, simplesmente ignoravam as de meia-água, razão pela qual decidimos alternar, muito justificadamente, entre artificiais e naturais. Equipamento de recolhimento: As carretilhas e molinetes, conforme preferência do pescador precisam estar de acordo com as varas e iscas com as quais trabalham em conjunto. Precisam ter capacidade de recolhimento rápido de linha quando se usam algumas iscas de superfície, de mesmo modo que precisam ser capazes de suportar as corridas dos grandes trairões, razão pela qual não se deve descuidar deste detalhe. Linhas: As melhores linhas para este tipo de pesca são as de multifilamento, devendo ser de resistência de no mínimo 20 libras para os tucunarés não precisando ultrapassar 40 libras de teste para o caso dos trairões. Usando linhas dentro destes parâmetros não tivemos perdas! Se, contudo o pescador sentir-se inseguro, pode levar linha de 50 libras. Nota do autor: Diante de natural dificuldade para se descobrir a forma correta da grafia da palavra miçu, miçú, ou missu, ou ainda, missú, chegamos à conclusão de que a forma mais adequada seria “missú”, muito embora a grafia “miçu” venha aqui adotada por percebê-la no nome fantasia da pousada.
  4. 8 points
    NOVA JORNADA NO FABULOSO SUIÁ-MIÇU Uma de boas coisas na vida é poder repetir algo que fizemos no passado com o mesmo sucesso. E assim foi com esta jornada na Pousada Suiá-Miçu, de nosso amigo Euler Vieira! Quando lá estivemos no ano passado em nossa primeira jornada, acertamos muito bem com os trairões e tucunarés, de sorte a resultar uma de nossas melhores jornadas enquanto pescadores, até porque a meta era justamente isso. Como tudo foi uma grande novidade, quisera parecer que talvez estivéssemos em uma semana de sorte e de abundância de peixes, mas nas conversas com o pessoal de lá, bem como, com os guias da pousada, soubemos que não havia nada de excepcional, senão a própria verdade: o local é mesmo muito bom de peixe! Então, nada melhor que repetir para conferir e foi o que fizemos! Estivemos novamente naquele lugar sensacional, tanto de beleza natural, quanto de pesca. Não foi possível uma jornada em época diferente daquela do ano passado por conta de compromissos, de maneira que, se no ano passado lá estivemos na penúltima semana de atividades, neste ano estivemos na última. Havia meses que não chovia por lá e, agora, no dia em que lá chegamos a temporada de “inverno” já se anunciava com as primeiras chuvas, inclusive com árvores caídas fechando a estreita estrada de terra logo mais próximo da pousada. Sorte que o pessoal de lá fica atento quando estão para receber pescadores e já ficam preparados para qualquer eventualidade de ter de limpar a estrada, permitindo a passagem. As estradas para se chegar à pousada são simplesmente espetaculares! Primeiro, um estradão, para depois afunilar-se e restar apenas uma maravilhosa estradinha mata adentro. Portanto, era de se esperar que a qualquer momento a chuva viria. E veio, não só no dia em que chegamos como também nos dias seguintes, mas apenas para amenizar o calor e ajudar a Natureza em seu processo de renovação, sem atrapalhar a jornada de pesca. Contudo, em poucos dias a pesca viria a se tornar impraticável, razão pela qual a formidável pousada só funciona de maio a setembro de cada ano, permanecendo fechada nos demais meses. De novo naquele lugar, era também de se imaginar que as coisas viriam a ser muito iguais e parecidas, mas na verdade, ali não há dia igual a outro, porque são muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo ao redor do pescador. São belíssimas manifestações da Natureza a ponto de, em algum momento se ouvir grande estardalhaço na água para se perceber um grande cardume de tucunarés, bicudas e cachorras batendo firme sobre espécies menores, enquanto que em outro momento se ouvir barulho ainda maior para perceber então que um jacaré andou aprontando alguma nas cercanias. Mesmo quando a água está aparentemente calma se percebem pequenos peixes praticamente “voando” sobre a superfície para fugir dos ataques de peixes maiores, ou até mesmo de nossas iscas. Enquanto isso, araras, capitães-do-mato e outras aves estão sempre a nos agraciar com seu canto e harmonia. Quando se pensa que isso tudo possa entender-se esgotado, ainda sobrevém o importante detalhe de que às vezes é preciso “garimpar” estas manifestações da Natureza, para incluir não só o que se apresenta sob a forma de sons e imagens, mas também o que vem sob a forma de perfumes, sensações e também ocorrências somente perceptíveis pelo pescador mais atento, como foi o caso de percebermos a silenciosa travessia de uma anta em uma baía! Este é o coroamento da definição do que vem a ser a arte de pescar, que muito antes disso já começa em casa, no processo de escolha e arrumação da tralha, manutenção nos equipamentos, carregamento de linhas cuidadosamente escolhidas, eleição das iscas artificiais que estarão mais à frente, sem deixar em reserva aquelas relegadas a segundo plano, pois muitas vezes elas serão as verdadeiras protagonistas nas capturas, passando também pelo planejamento das estratégias que serão empregadas nas jornadas e mais alguns pequenos detalhes que ajudam a completar este prazeroso processo. Embora o rio ofereça outras espécies, como pirararas, cacharas, grandes cachorras e corvinas, preferimos novamente centrar nossos esforços na pesca de trairões, alternando com a pesca de tucunarés, muito embora tenham se apresentado alguns “intrusos” nas capturas, o que é sempre bem-vindo. O mais intruso foi um jacaré que entrou em uma isca "Trairão" que um amigo, Fernando, me enviou desde Espanha, mas teve até raia pega pela cauda! Para os tucunarés só usamos iscas artificiais, muito embora algum que outro tenha entrado na isca natural enquanto se tentavam trairões, porque estes, nem sempre estão muito dispostos às artificiais. É impressionante como o Suiá-miçu e seus tributários têm trairões, porque não se navega muito para encontrar um ponto onde estejam. Inclusive há pontos muito próximos à pousada não demandando mais que alguns poucos minutos de navegação. Contudo, o espírito humano quer sempre mais e melhores peixes, de sorte que não dispensamos todas as possibilidades, quando então, estivemos pescando, tanto no Rio Suiá-Miçu, quanto em alguns afluentes como o Águas Claras e o Paranaíba, ademais de algumas baías que ainda permitiam acesso. Embora à primeira vista todos os locais do rio pareçam iguais e tinham tudo para prometer capturas, em razão do conhecimento, o guia Edinho parecia passar por um ponto bom para parar em um que para nós não tinha tanto atrativo, mas logo em seguida vinha a comprovação de que a parada tinha lá seu fundamento, nos dando bons peixes. É aí que entra o conhecimento do guia, proporcionando grande jornada ao pescador. Vejamos um pouco dos peixes capturados no rio. Um dia, entramos no Rio Paranaíba, que é um afluente de águas muito límpidas e rasas, que alaga uma enorme área antes de entrar no rio principal. Mesmo em épocas de seca, como agora, sempre é alagado por quilômetros antes de entrar no Suiá-miçu. É impressionante navegar por seus meandros, enquanto se observam cardumes a correr paralelamente ao barco, sobretudo raias, corimbas, bicudas e tucunarés. É uma bela experiência! Ali, em qualquer ponto de alguma profundidade, sobretudo onde hajam tranqueiras paradas na margem, há trairões! Basta apoitar nestes pontos e lançar iscas, nestes casos, quase sempre naturais, vez que arremessos são impossíveis. Não raro se pescam trairões no visual, quando se podem lançar as iscas praticamente “na cara” do peixe, mas ao menos nos momentos em que tentamos, recusaram jigs, acatando muito bem às naturais. A exemplo do ano passado, navegamos bastante, na verdade, muitos quilômetros Paranaíba adentro, até chegarmos em áreas que nos ofereceram muitos tucunarés e alguns trairões muito bons. De mesmo modo, subimos também o Rio Águas Claras, que tem um “comportamento” um pouco diferente do Paranaiba. Primeiro, apesar de ter quase o mesmo porte, não forma grande alagamento em sua foz, senão em época de cheia, para ficar encarcerado nas barrancas baixas. Segundo, suas águas, apesar de límpidas, têm a coloração escura tipo coca-cola, comum em muitos rios amazônicos. Ali também, com pouca navegação já se chega em pontos de pesca de trairões, bastando encontrar locais que ofereçam alguma profundidade com galhadas. Em razão de que é um rio pequeno, sem áreas alagadas, ali, a pesca se concentra na pesca de trairões com iscas naturais, sempre rendendo muitas capturas, inclusive vários dublês. Nos dias em que subimos para pescar no Rio Paranaíba, no Rio Águas Claras e nas baías lá da região mais alta, sempre rolou o tradicional churrasco na margem do rio, algo muito apreciável e inesquecível! Enquanto lá estávamos havia várias outras equipes pescando, resultando que ao final do dia sempre tínhamos boas estórias a contar e, sobretudo, a ouvir, ora de capturas de peixes de porte maior, ora de espécies que não buscamos pescar. Uma grande dupla que lá estava, os amigos Leonardo e Ricardo fizeram uma jornada bastante variada, dedicando-se a diferentes espécies, resultando com belíssimas fotos, que gentilmente nos cederam para compor a parte visual da matéria, de sorte que fica aqui, o agradecimento a estes valiosos companheiros! Como sempre, finalizar agradecendo ao Grande Euler Vieira, Caboclo Bão das Minas Gerais , que não mediu esforços no sentido de nos proporcionar tamanha jornada, agradecendo também ao amigo Edinho que nos assessorou durante toda a semana, favorecendo-nos para que tudo resultasse muito bem como resultou. Para melhor visualização do valoroso empreendimento de nosso amigo Euler, leia a matéria do ano anterior quando se poderá ver fotos da pousada e entender melhor a grandeza daquilo tudo. Para encerrar repito esta imagem que caracteriza a síntese do que é pescar em Família. Muito grato, meu Irmão Mário, Mano Véio de tantas jornadas! Muito grato, meu Sobrinho Mário Júnior! Agora, a esperar pela próxima no ano vindouro e tudo faremos para que possamos lá estar em um período diferente, quando a oferta de peixes estará também de forma diferente, mas com certeza, conforme já nos alertaram, sempre com abundância.
  5. 7 points
    Boa noite, amigos do Pescaki! Como todo pescador tem o seu quintal, ou seja, lugar próximo de onde reside para pescar sem tanta preparação, apresento-lhes o meu: a 5 minutos (3km) de meu sítio, fica o Pesqueiro do Renato. Primeiro, devo dizer que não só de peixe se constitui um pesqueiro e sim de pessoas, estrutura e proprietários. Quanto a pessoas, o pesqueiro é beeem vazio! O que eu adoro! Porque quando tem muita gente pescando, tem uns 7 pescadores! As poucas vezes que fui em pesqueiros mais famosos pelos baguas, pirararas e CIA passei um nervoso desgraçado com a falta de educação das pessoas. A última vez que fui foi um episódio muito triste, aonde quis levar meu irmão e meu amigo Diego para conhecerem o Arujá e enquanto eu brigava com um tamba, um senhor com idade pra ser meu avô enroscou na minha linha. por mais que eu falasse pra ele que era o meu peixe, ele resolveu fazer um cabo de guerra comigo! Depois de alguns srgundos nessa situação ridícula, eu soltei minha fricção e deixei o "gente boa" recolher, pq ele ia matar esse peixe tentando fisgar o meio dele. Tirou o peixe do outro lado do lago e eu fui andando até ele. Correram tirar o meu anzol, sorte que o dele era bem diferente do meu e o funcionário confirmou que na boca estava o meu wide gap. Na frente dele. Sem me encarar, ele levanta o peixe, tira uma foto e joga na água. Dizem que pescador é calmo, mas confesso... Tive que repetir trinta vezes que a vergonha era dele e que ele era bem mais velho. O funcionário prestou suas condolências MAS não fez nada também. Fui pro lago menor, disse que ele tinha que ter vergonha de ser ridículo, lixo assim e nunca mais voltarei lá. Não pelo pesqueiro, mas pelo excesso de gente. Não me divirto pescando um peixe e enroscando em 20 linhas. O segundo ponto é estrutura: tem um Laguinho pra quem quer levar tilápia ou pacu, mas o grandão é só esportiva e o almoço é ma-ra-vi-lho-so! Minha dica é a truta à parmegiana! Criançada brinca à vontade longe do lago principal e aquele clima gostoso de sítio, com animais e tranquilidade! Tem gente que vai só ler um livro na sombra! Terceiro, proprietários: mais que isso, amigos de todos os pescadores que lá frequentam, uma família de gente honesta, esforçada e cheios de simpatia! Não é aquele proprietário que não tá nem aí pros clientes, mal educado e que não se importa em melhorar a cada dia no que puder, para ficar cada vez melhor! Sejam muito bem vindos ao meu quintal:
  6. 7 points
    Se tem uma região onde gosto de pescar é a de Areado e Alfenas, às margens da Represa de Furnas, razão pela qual no Pescaki já existem vários relatos meus sobre a pesca por lá. Desta vez já fazia algum tempo que não ia para lá, mas na semana passada tive esta oportunidade e matei a saudade. Só quem conhece a região pode ter uma real noção dos dias de maravilha que passamos, mas tentarei mostrar o quanto isso pode ser bom através deste relato, ajudado por algumas fotos. A primeira e grande vantagem de se estar por lá é justamente por poder estar em Minas Gerais, especialmente na região sul daquele Estado, onde a paisagem sempre exuberante, a avifauna espetacular e a pesca de muitas espécies e, sobretudo, sua formidável gente, contribuem sobremaneira para tornar difícil o dia em que vem a ser necessário voltar para casa, deixando sempre uma pontinha de saudade, antes mesmo de sair de lá. O lago esteve bastante abaixo do nível normal por um longo período, pelo que verifica-se algum prejuízo em termos de diminuição na quantidade de peixe, mas jamais a ponto de tornar uma jornada ruim. O que agrada é perceber que com a pouca recuperação do nível de água, há muitos cardumes de juvenis oriundos do último grande período de reprodução e mesmo de alevinos oriundos dos eventuais episódios de reprodução isolados ainda em andamento, o que significa uma boa recuperação, muito embora por lá se verifique uma maciça presença de pescadores profissionais, ou revestidos de profissionais, enfim, matadores em alto nível de depredação, a quem as autoridades precisam prestar um pouco mais de atenção, pois desrespeitam toda e qualquer regra da pesca profissional além de ameaçar aos pescadores esportivos que reclamam de seus crimes. Ficamos hospedados da Unidade de Lazer da Colônia de Férias da AFPESP em Areado, de onde gosto muito, vez que ali fiz grandes e especiais amigos a quem é sempre bom e prazeroso rever e poder colocar a prosa em dia. Só para se chegar à unidade já se pode desfrutar de estupendas paisagens, sempre com muitas plantações, sobretudo de café, milho e soja. Então, deixo algumas fotos do local e dos peixes para dar uma ideia da maravilha que é. Estes aqui são praticamente o símbolo do Sul de Minas. Presentes em qualquer lugar que se preste atenção, ajudam a dar o toque especial para aquilo tudo. Quanto aos peixes andamos acertando com os tucunarés e também com as tabaranas. Foram inúmeras capturas de peixes pequenos, mas também com algumas capturas de peixe de porte a merecer registro, tal como se pode ver nas próximas fotos. Mário, meu irmão. Meu amigo Valter Moraes, grande fotógrafo, grande pescador, acertou um belo peixe Lúcia também sacou alguns, muito embora nenhum de tamanho expressivo. Contudo, percebe-se nítida a alegria da pescadora. No último dia tive a companhia do meu amigo João Paulo e do meu amigo Sr. Arlindo, dois caboclos daqueles que a gente nunca esquece. O danado do João pegou o único peixe bom do dia, que esteve mais fraco que os demais E, assim, chegou a hora em que a lua cheia, ali sempre mais bonita que em qualquer outro lugar, veio anunciar fim da jornada, coroando-a com esta imagem. Para finalizar deixo gravados meus agradecimentos aos amigos Valter Moraes, João Paulo, Sidney Tiriça, Sr. Arlindo e Nice, todos eles, que não medem esforços em propiciar a melhor das jornadas, gente muito especial a quem gostaria de estar em contato mais amiúde, mas os compromissos de nosso dia a dia só o permitem de vez em quando. Também registro agradecimentos a minha mulher Lúcia, Mário, Helena, José Jorge e Rosa, que sempre fazem qualquer jornada tornar-se a melhor! Deixo gravados também os agradecimentos ao pessoal da Unidade da AFPESP, nas pessoas do gerente Alexandre, Fabio, Douglas, Celinho , Débora 1, Débora 2 rsss e de todos os que ali trabalham, vez que fazem sentir-me em casa, tamanha a hospitalidade e simpatia. Além disso, fica um forte abraço pro caboclo mais artista que conheço, Edinho, grande cantor, sobretudo cantadô de modas de viola. Por fim, deixar um forte abraço para o amigo Geraldo e Familia e ao novo amigo Josias e Família a quem tive o prazer de conhecer na unidade! É isso aí! Espero que tenham gostado!

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