Mauricio.

Instruções para um iniciante

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    Então, o amigo decidiu que quer ser pescador, certo? Muito bem, acho que das escolhas que podemos fazer nesta vida, abraçar o nobre esporte de pegar peixe é uma das mais honrosas e, por que não, divertidas. Desde os primórdios da existência de nossa raça, pescar sempre foi um ato que resultava, se não na sobrevivência, também em grande orgulho. Afinal, voltar com comida para casa sempre foi algo visto com admiração pelo resto do grupo. Assim, você era um dos que “resolviam”.

     Isso evoluiu um pouco desde então e hoje não levamos tanto peixe para casa, seja porque é ilegal, antiético ou simplesmente não pegamos nada mesmo, que viver da natureza nunca foi tarefa simples. Então, vamos a algumas dicas que este velho pescador acumulou durante uma vida de tentativa e erro. Com certeza, mais erro. E hoje queria escrever algumas linhas sobre o início e as mudanças de fase, principalmente, coisa que nunca se vê documentado ou explicado.

 

Iniciando

 

     Normalmente inicia-se nessa sofrida vida acompanhando-se pais e parentes em pescarias desde tenra idade, observando-se os praticantes e gostando do que vê, conversando com quem gosta ou mesmo depois de ler muito sobre o assunto e achar que já é hora desse salto evolutivo. Então, ouvindo os amigos contarem vantagem no bar, entre um gole de cerveja e um pastelzinho, decide que já é hora de começar. Ele precisa, então, comprar o seu material.

      Então, ele vai a uma loja de material de pesca, sozinho ou acompanhado, para comprar os instrumentos. E fica abismado com a variedade e a quantidade. A depender do local, verdadeiras galerias de equipamento se fecham sobre ele e mostram como é rico esse universo. Muito cuidado agora, pois essa é das fases mais divertidas de quem começa e não acabe com ela bruscamente. Aproveite. Saboreie cada momento. Embevecido, como se tivesse sido apresentado a uma linda mulher, o coração bate mais forte. A cada prateleira, lá estão elas, sorrindo para o pescador. Falo das carretilhas e molinetes, claro, pare de pensar em moças.

       Pode parecer um pouco machista, mas acho que nunca vi nos olhos de uma mulher o mesmo brilho dos de um homem quando o assunto são prateleiras cheias de material de pesca. Assim, me perdoem o público feminino, mas só posso falar de minhas próprias experiências. E não darei recomendações específicas, mas genéricas e válidas a todos, pois cada um é cada um e cada técnica tem seu equipamento, a variedade é enorme, e assim como há quem goste das loiras, também há quem só se apaixone pelas morenas. Cacilda, machismo de novo...a gente não escapa mesmo.

       Deixando as polêmicas sociais de lado, o pescador vai, então, seguindo recomendações dos amigos, do que leu ou mesmo (cuidado...) dos vendedores, começar a colocar seus equipamentos de entrada na cestinha. Como equipamento de entrada, entende-se algo mais simples e mais barato, não necessariamente algo de má qualidade. E há uma grande variedade dos mesmos. Sempre há dúvidas nessa hora, do que é melhor e do que vai entregar mais pelo seu dinheiro. E isso sempre é algo muito complicado de recomendar. Pois cada pescador veterano possui suas próprias preferências e idéias sobre o assunto, e não há um que pense exatamente igual a outro quando o assunto é tralha de pesca, mesmo porque esse universo é vasto e evolui a cada dia. 

 

Mudança de fase

 

       Vai acontecer. O pescador vai, em algum momento, seja porque precisa, seja porque quer, vai trocar seu equipamento. Vender o antigo ou, pelo menos, deixar o anterior para trás e comprar algo mais novo. Como algo mais novo, entenda-se novidades. E, paradoxalmente, novidades podem até ser coisas... antigas! Inclusive há alguns pescadores que fazem questão de pescar com equipamento antigo ou vintage, pois isso dá um sabor totalmente diferente ao esporte. Logo, de novo, depende de cada um.

       Com o tempo, difícil é o pescador contumaz que não acumulou uma certa quantidade de material. Que pode ser desde meia dúzia de coisas até o infinito e além. Normalmente, a segunda opção. As gavetas ficam cheias, os armários lotados, ao se abrir as portas do mesmo tem-se que esticar a mão para aparar os maços de varas de pesca que teimam em escapar da prisão. Chega, então o momento terrível. Vai ter de vender alguma coisa. Ou, claro, comprar um armário maior.

       Quanto à conservação, material de pesca é sempre algo que vale a pena manter em ótimas condições, pois como passar do tempo, a vontade de trocar o material por algo mais evoluído acabará vencendo, e fica mais fácil vender (ou trocar) o material antigo se o mesmo está em “ótimas condições”. Assim, o pescador fica com fama de não apenas ser bom no esporte, mas também de cuidar do que possui, sinal de avanço evolutivo inconteste.

        O pescador cuidadoso não permite que seu material toque o chão. Ou está em sua mão, ou está em seu suporte, ou está bem preso. Molinetes e carretilhas sempre protegidos por suas capas durante o transporte até o momento de uso. E como momento de uso falo de uso mesmo, tira-se a proteção logo antes de se começar a arremessar. Isso pode gerar algumas acusações de frescura, mas você sabe o quanto pagou por aquilo e esse cuidado vai evitar muito desgosto. E riscos.

        Posso dizer que equipamentos há que depois de muitos anos de uso mostram pouquíssimas marcas do mesmo, dando grandes alegrias a quem o adquire posteriormente. Outros, parecem que passaram por uma guerra mundial! Posso dizer que, em minha vida de pescador, vi coisas pavorosas. Como, no costão, um jovem neófito que, para desenroscar a linha na ponteira, simplesmente afastou a vara de pesca inteira, arrastando o molinete pelas pedras do costão. Via-se, com terror, a alça catadora de linha abrindo e fechando nas cracas. Causou arrepios até nos caranguejos. E, pior, depois de resolvido o enrosco, puxou tudo de volta da mesma forma, quase causando um infarto em quem presenciava. Lembro que era um Paoli Super novinho, provavelmente recém tirado da caixa. Descanse em paz.

      Ok, pode parar com as lágrimas. Isso foi há muito tempo. E, claro, você não fará isso de forma alguma, certo? Bom, então, vamos começar? O que está esperando? Ah, sim, o pastelzinho... ;)

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Bem interessante o texto Maurício ... confesso que já vi pescadores fazendo grandes estragos também em suas tralhas que chegar a arrepiar o coração.

Mas, como você disse, cada um tem seus cuidados e preferencias, por isso o mundo da pesca é tão incrível, várias formas e equipamentos para a mesma finalidade, pegar o coitado do peixinho rsrs ...

Grande abraço e parabéns pelo texto.

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Que venha mais reflexões!

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Outro dia peguei uma carretilha de um amigo para revisar, quando devolvi disse a ele que caso a enterrasse novamente seria melhor se colocasse ela num saco plástico :heh:

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Lembrei do asno que quebrou minha vara...estávamos pescando de barranco, aí minha linha enroscou no meio do rio, dali a pouco passou um cara de barco, olhei dentro do barco, carretilhas, material que parecia bom, pensei, deve saber o que fazer....no que vi o vivente puxando a linha com a vara!!! nem deu tempo de gritar que ia quebrar (multifilamento não arrebenta fácil né...)

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Grande Mauricio.,

Sentíamos falta de teus formidáveis escritos! :simsim: Este está muito legal! :joia::bs-aplauder: 

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18 horas atrás, Carlos Caffer disse:

Bem interessante o texto Maurício ... confesso que já vi pescadores fazendo grandes estragos também em suas tralhas que chegar a arrepiar o coração.

Mas, como você disse, cada um tem seus cuidados e preferencias, por isso o mundo da pesca é tão incrível, várias formas e equipamentos para a mesma finalidade, pegar o coitado do peixinho rsrs ...

Grande abraço e parabéns pelo texto.

Valeu, Carlos. Abraço!

18 horas atrás, Alexandre Campos disse:

Gostei. Legal!!!

Valeu, Alexandre. Abraço!

17 horas atrás, Alexandre Fishing disse:

Que venha mais reflexões!

Valeu, Alexandre. Vamos ver se me animo a escrever de novo. Abraço!

14 horas atrás, Alexandre Fishing disse:

Outro dia peguei uma carretilha de um amigo para revisar, quando devolvi disse a ele que caso a enterrasse novamente seria melhor se colocasse ela num saco plástico :heh:

Kkkkkkkk. Já vi muita coisa assim também.  :D

8 horas atrás, Glaucio Silva disse:

Lembrei do asno que quebrou minha vara...estávamos pescando de barranco, aí minha linha enroscou no meio do rio, dali a pouco passou um cara de barco, olhei dentro do barco, carretilhas, material que parecia bom, pensei, deve saber o que fazer....no que vi o vivente puxando a linha com a vara!!! nem deu tempo de gritar que ia quebrar (multifilamento não arrebenta fácil né...)

Eita! Quando isso acontece, não tem jeito. Tem-se que pegar uma toalha, enrolar na mão, enrolar a linha nela e puxar. Abraço, Glaucio.

7 horas atrás, Domingos Bomediano disse:

Grande Mauricio.,

Sentíamos falta de teus formidáveis escritos! :simsim: Este está muito legal! :joia::bs-aplauder: 

Grande Bome, Abraço!

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Bela reflexão Mauricio!

É bem legal olhar para trás e notar todos esses pontos alavancados nesse texto, e o mais legal de tudo que na pesca a evolução é constante, seja de equipamentos, como de aprendizado!

:plamas: 

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Cuidar do material é muito importante, apesar de ter pouca tralha, cuido muito mal, admito.

Sobre o brilho dos olhos, deve ser parecido com as pescadoras nas lojas de pesca, a empolgação atinge ambos.

Legal o texto!

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Obrigado por nos brindar com mais um ótimo texto, eu já estava sentindo falta! :joia:

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o texto descreve bem os arrepios que sinto na pele quando vejo aleatoriamente , alguns companheiros a caminho desta atividade. ao bater o olhar nas tralhas diria que só falta o peixe pendurado no anzol , porque até isca já está no local.

já me aventurei com alguns que perdiam a metade das tralhas , a pressa era tanta para estar no posto que espalhavam a olho os apetrechos e depois não sabiam onde haviam deixados. estes foram os meus melhores professores ...  

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Em 26/01/2017 at 09:13, Ricardo Valim disse:

Bela reflexão Mauricio!

É bem legal olhar para trás e notar todos esses pontos alavancados nesse texto, e o mais legal de tudo que na pesca a evolução é constante, seja de equipamentos, como de aprendizado!

:plamas: 

Valeu, Ricardo. Abraço! ;)

Em 25/02/2017 at 07:58, pescador.mg disse:

Cuidar do material é muito importante, apesar de ter pouca tralha, cuido muito mal, admito.

Sobre o brilho dos olhos, deve ser parecido com as pescadoras nas lojas de pesca, a empolgação atinge ambos.

Legal o texto!

Kkkk. Abraço, Bruno! ;)

Em 25/02/2017 at 16:05, Dual Sub disse:

Obrigado por nos brindar com mais um ótimo texto, eu já estava sentindo falta! :joia:

Grande Paulo. Abração! ;)

11 horas atrás, Roque Moraes disse:

o texto descreve bem os arrepios que sinto na pele quando vejo aleatoriamente , alguns companheiros a caminho desta atividade. ao bater o olhar nas tralhas diria que só falta o peixe pendurado no anzol , porque até isca já está no local.

já me aventurei com alguns que perdiam a metade das tralhas , a pressa era tanta para estar no posto que espalhavam a olho os apetrechos e depois não sabiam onde haviam deixados. estes foram os meus melhores professores ...  

Sim, já vi muito isso também :D . Abraço, Roque!

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Toda vez que sobe eu leio de novo, incrível como é sempre assim que acontece com a gente. :bs-aplauder:

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Em 30/03/2017 at 18:28, Alexandre Fishing disse:

Toda vez que sobe eu leio de novo, incrível como é sempre assim que acontece com a gente. :bs-aplauder:

Valeu, Alexandre!

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Show em @Mauricio.!!! Esse não tinha visto ainda pois não estava no peskaki quando foi fabricado rsrs!!! Top!! Belas palavras e experiências!

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Em 03/08/2017 at 11:02, Willian87 disse:

Show em @Mauricio.!!! Esse não tinha visto ainda pois não estava no peskaki quando foi fabricado rsrs!!! Top!! Belas palavras e experiências!

Valeu, Willian!

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Bom subir de novo grande Maurício, nessa jornada tudo tem seu tempo. 

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