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Mauricio.

Pequeno manual

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Estava mexendo nos arquivos antigos. Achei isto. Em 1996 foi feito um torneio de pesca onde trabalho. Para ajudar os que não tinham nenhuma prática, lembro que na época fiz este pequeno manual para os neófitos, já que muitos nunca tinham pescado antes na vida. Talvez seja útil a novos frequentadores. ;)

 

 Pequeno Manual de Sobrevivência em Torneios

 

            Devido à grande proliferação nos últimos anos dos pesqueiros tipo pesque pague, criou-se entre os freqüentadores uma técnica para os peixes comumente encontrados.

            Entre esses, nota-se com mais freqüência as tilápias do Nilo e Saint-Peter (vermelha), pacu, tambaqui, tambacu (um híbrido de pacu e tambaqui, muito comum em pesqueiros), bagres africanos e norte americanos (channel cat fish ou bagre de canal), carpas (praticamente todas as variedades mais comuns, com destaque para a carpa cabeça grande), piaus e outros menos comuns (trutas, salmões, piraputangas, etc.), que não descreveremos neste manual por serem menos encontrados que os outros.

            O pescador encontrará basicamente dois tipos de pesqueiros:

                     - O pesque pague, onde normalmente cobra-se uma entrada básica e depois por quilo de peixe pescado. O preço costuma ser variável de acordo com a espécie, com as espécies consideradas mais nobres e raras normalmente mais caras.

                      - O pague pesque, onde a entrada do pescador é mais cara, mas o quilo de peixe costuma ser livre até certa medida.  Em alguns, qualquer quantidade de peixe não será cobrada. Este tipo costuma gerar desconfianças quanto à quantidade e freqüência de soltura de peixes nos lagos  pelos freqüentadores, sempre que não pegam nada.

            No Brasil, os pesqueiros desses tipos costumam ter ambiente de lagos naturais e artificiais para oferecer aos freqüentadores, sendo que as espécies mais encontradas são peixes normalmente ambientados nesse tipo de ecossistema (espécies lênticas), como as carpas e as tilápias, que inclusive, desovam facilmente nos lagos. Outras espécies, naturais de rios  (lóticas),   necessitam de técnicas especiais de criação, como os pacus e tambaquis. Esses, nunca desovam sem uma técnica chamada hipofização, conhecida nos criadouros.

            Muitas vezes a técnica de pesca recomendada para um tipo de peixe acaba dando resultado para outro, geralmente devido às características de alimentação dos mesmos e das condições de superpopulação dos lagos. Vamos às técnicas:

 

            TILÁPIAS 

            As tilápias são peixes originários da África, sendo que algumas espécies  do Oriente Médio.  As mais comuns nos pesqueiros são a do Nilo e a Saint Peter (vermelha). Essa última é uma espécie desenvolvida em Israel, para fins de produção otimizada de carne. As duas possuem carne deliciosa e são comuns exemplares de um quilo ou mais.

             O material mais utilizado para a sua pesca é caniço simples de 3 a 4 metros, de bambu ou outro material (varas telescópicas) com o uso ou não de bóia. É mais comum usar-se o anzol na ponta da linha, tamanho 4 até 12,  com um chumbo oliva pequeno a dois palmos do mesmo para afundar o conjunto.

            Como isca pode-se usar minhoca, coração de frango ou massas. É comum os pesqueiros oferecerem massa feita com a própria ração com que alimentam os peixes, o que costuma dar muito bons resultados. As tilápias costumam se aproximar quando o local é cevado com ração ( ração de coelho costuma dar bons resultados para ceva), mas como são muito ariscas, qualquer movimento brusco do pescador ou pior, batidas e sons de passos na margem espanta o cardume deixando no local apenas as mais jovens.

            Quando  depois de retiradas e colocadas no samburá, deixe-o completamente imerso, para que quando se debaterem não assustem o cardume. Não costumam ser muito brigadoras, o que permite o uso de linhas mais finas ( 0,20 mm a 0,35 mm).

 

            PACU, TAMBAQUI, TAMBACU

            São dos peixes mais procurados nesses pesqueiros, considerados dos mais nobres, tanto pela carne como pela briga que costumam oferecer ao pescador. Como não se reproduzem em lagos, tem de ser adquiridos pelo proprietário já criados e crescidos. São peixes originários da bacia do Prata (pacus) e Araguaia (tambaquis) e existe também um híbrido dos dois tipos chamado tambacu, também comum nos pesqueiros. 

           É mais comum pescá-los de caniço com molinete ou carretilha. Observe que é mais fácil o uso de molinete, já que a carretilha exige mais prática por parte do pescador. Pode-se usar um único anzol na ponta da linha, com chumbo oliva que permita o arremesso do conjunto, ou um ou dois anzóis mais ao alto com um chumbo tipo gota na ponta.

            O estilo é ao gosto do pescador. Use linhas de espessura 0,30 mm a 0,45 mm. Porém, não se deve esquecer de duas coisas:

                        - O pacu e o tambaqui possuem dentição capaz de cortar linhas de náilon bem grossas, portanto, use um encastoamento de aço fino nos anzóis, que deverão ser de tamanho 2/0 a 3 

                        - Em alguns lagos, costuma-se formar no fundo uma camada de lodo fino de espessura variável, que pode esconder a isca se ela estiver na ponta da linha. Nesse caso, utilize a segunda opção, o que certamente melhorará sua pesca.

            Como são peixes que comem quase tudo, use como isca minhoca, minhocuçu, coração de frango ou de boi e as massas oferecidas no pesqueiro. Algumas frutas, como a goiaba, às vezes costumam dar bons resultados.

            Algumas vezes, os pacus costumam se alimentar à meia água ou até na superfície. Nesses casos, use uma bóia e vá aumentando a distância da mesma até o anzol, até ter resultados.

 

            CARPAS

            Existem muitas espécies, mas as mais comuns são a de escama (carpa comum), a carpa espelho (poucas escamas grandes pelo corpo) e a carpa cabeça grande. Esta última, muito procurada entre os freqüentadores devido ao grande porte que alcançam.  Use linhas de 0,25 mm a 0,40 mm e anzóis tamanho 1/0 a 5, no mesmo estilo recomendado para os pacus. Não é necessário encastoados. Como isca, minhocas e massas são as mais usadas, porém, costumam atacar a maioria das iscas.

            Para a carpa cabeça grande é necessário abrir um outro capítulo. Elas não tem o mesmo comportamento de suas irmãs, sendo necessário um aparato especial para a sua captura. São originárias dos rios da China e se alimentam apenas de partículas em suspensão na superfície ou pouco abaixo dela, a despeito do grande tamanho que alcançam (mais de 20 quilos). Com essas características de alimentação, a única forma de pescá-las com sucesso é utilizando o “chuveirinho”, que consiste em uma mola pequena cercada de vários anzóis presos em linhadas de comprimento variável, mas não maiores de 10 cm.

            A isca utilizada é a massa, que não pode estar nem muito consistente, nem muito esfarelenta. Quando aplicada ao “chuveirinho”, ela ficará com o formato e tamanho aproximado de uma coxinha de bar, sendo que a mola de metal ajuda a segurar e conservar.  A consistência da massa tem de ser tal que a isca se esfarele bem lentamente em contato com a água. O uso de uma bóia de bom tamanho é fundamental, de preferência as que já possuem chumbo em sua estrutura. É necessário o uso de caniço com molinete ou carretilha, para se poder arremessar na direção do meio do lago.

            A carpa ficará por perto, ingerindo as partículas que se soltam da massa. Com um pouco de sorte, elas engancharão a boca ou esbarrarão a cabeça em um ou mais anzóis suspensos, afundando a bóia e, como podem atingir grandes dimensões, iniciando um combate memorável. É um peixe muito procurado nos pesqueiros.

 

BAGRES

             São comuns  os bagres africanos e o bagre americano de canal, sendo em muitos pesqueiros um motivo de reclamações essa pretensa “abundância”,  já que às vezes são os únicos peixes a morderem as nossas iscas. Como costumam ser peixes longos e vistosos, satisfazem plenamente os pescadores de primeira viagem, que costumam ficar felizes com o grande peixe que pescaram.

            Se alimentam de quase tudo que se joga na água. Use o mesmo material, técnica e as mesmas iscas para os pacus, sendo que possuem uma predileção especial por minhocas e minhocuçus, bem como todas iscas sangrentas ( fígado, coração).

 

       

PIAUS

 

            Não são muito comuns, mas alguns pesqueiros oferecem piaus e piavuçus aos freqüentadores. Nesse caso, use o material e a técnica para pacu e tambaqui, com anzóis encastoados se estiver usando linha fina.

         São peixes típicos do pantanal matogrossense, onde atingem pesos de quatro a seis quilos com facilidade, mas nos pesqueiros não alcançam grandes dimensões, sendo mais comuns de meio a um quilo. Costumam brigar muito antes de se entregarem, exigindo muito do equipamento, principalmente se for do tipo leve.

 

DICAS

            É interessante o pescador já possuir o material que irá utilizar. Embora muitos pesqueiros ofereçam o aluguel do mesmo, raramente satisfazem um pescador com esse nome, já que poucas coisas no mundo são tão particulares e personalizadas como o material de pesca de um aficionado. 

          Pode-se adquirir as iscas nos pesqueiros, mas o mais recomendável é trazê-las de casa, ou mesmo prepará-las pouco antes de começar a pescar, no caso das massas. Essas podem ser compradas prontas, em pó e preparadas logo antes da pesca. Os freqüentadores dos pesqueiros costumam trocar “receitas“ entre si, seguindo abaixo uma das mais conhecidas para carpas e tilápias:

           

             2 batatas doces já cozidas e sem pele;

            100 gr. de farinha de mandioca;

            100 gr. de farinha de trigo

            50 gr. de queijo parmesão ralado;

            água o suficiente para dar a liga.

 

            Amasse as batatas e misture os ingredientes  adicionando a água aos poucos, amassando até ficarem com consistência suficiente para cobrir o anzol e não se desmanchar rapidamente quando na água. Pode-se usá-la crua ou cozida. Caso a queira cozida, faça tiras e corte em pedaços com o tamanho necessário para cobrir  o anzol que pretenda usar. Jogue os pedaços aos poucos em água fervente e os retire assim que começarem a boiar. Para que não grudem quando acondicionados, misture com farinha de mandioca.

            É interessante o pescador levar também cadeiras de praia, já que não é garantido que os pesqueiros oferecerão esse acessório, bem como samburás e um puçá (também conhecido por coador ou passaguá) para retirar os peixes maiores depois de cansá-los. Isso é especialmente necessário quando se utiliza linhas finas.

            O método correto para lutar com um peixe fisgado é apontando o caniço sempre  para o alto, de forma que a elasticidade do material o canse. Se a ponta da vara é apontada para o peixe, ele pode em um arranque mais forte romper a linha. Isso costuma ocorrer com pescadores novatos, que costumeiramente se afobam e querem retirar o peixe rapidamente, sem cansá-lo. É comum, nesses casos, uma grande decepção com a perda do mesmo, seja por rompimento da linha, seja por rompimento da boca do peixe, que não é feita de ferro. Uma decepção que poderia ser evitada com um pouco mais de paciência.

            O fato de uma linha ter resistência nominal a três, quatro ou cinco quilos não significa necessariamente que os peixes pescados deverão estar nessa faixa. Pode-se perfeitamente fisgar e retirar peixes muito maiores que os pesos indicados nos carretéis, que são apenas uma média da resistência dessas linhas sem nenhum nó. E como os nós são sempre necessários, sempre diminua mentalmente o peso máximo que o fabricante da linha  afirme resistir.

            Saber disso é importante na hora de se regular a fricção (ou freio) que todos os molinetes e carretilhas possuem. Esse mecanismo permite que se ceda automaticamente linha antes do ponto de rompimento durante o combate com um peixe mais violento. Regule o equipamento sempre para metade do peso indicado pelo fabricante no carretel. Isso garantirá a retirada de muitos peixes grandes. Boa sorte!!!

 

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Tá aí um "textão" que não é polêmico. Bem elaborado. A essa altura da vida, já não me considero novato em pesqueiros, mas o lance do lodo no fundo eu nunca tinha ouvido falar (nem parado para pensar sobre). Por sorte, já tenho o hábito de deixar o chumbo em baixo:joia:

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