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Domingos Bomediano

Sonho de menino inesperadamente realizado aos 52 anos de idade

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Sonho de menino inesperadamente realizado aos 52 anos de idade

Com fotos dos Irmãos Bomediano

Para os de minha geração, não há como esquecer a voz empostada de Heron Domingues ao anunciar: "Aqui fala o Repórrrrterrr Esso, testemunha ocularrrr da história"! Ainda que a comparação possa vir a ofender os brios dos fãs daquele maravilhoso jornal de televisão, sua audiência, guardadas as proporções populacionais, comparava-se com grande chance de superá-la, à do atual Jornal Nacional.

Mas, porquê, agora, em um fórum de pesca, venho falar nestas saudosas épocas e de um jornal que nem existe mais? Simplesmente porque foi na voz do Grande Heron Domingues, no afamado jornal, que em tenra idade ouvi pela primeira vez algo relacionado ao Xingu e seus heróis, índios e brancos, dentre estes, os lendários Irmãos Villas Bôas.

Assim, vez ou outra vinham notícias daquela região, notícias estas, que me acariciavam os ouvidos, de maneira a parecer que algo mágico havia no Xingu que me causava tanta ilusão, a ponto de não raro, menino sonhador, ousar imaginar-me um dia, pisando o sagrado chão xinguano, de preferência numa aldeia indígena.

Com o tempo, ao entrar na adolescência e estando em melhor condição para compreender aquilo tudo, descobri que a saga dos afamados irmãos começou em 1943, quando souberam que o governo estava montando uma expedição com o fim de desbravar parte da enorme área ainda não mapeada do Brasil Central, implantando núcleos populacionais durante sua passagem.

Tal expedição foi denominada de Expedição Roncador-Xingu, partindo de Barra do Garças, que foi sua primeira base. Uma vez nela engajados, deram início à própria saga, os formidáveis Irmãos Villas Boas, não sem agregar ao grupo, algumas pessoas, muito embora anônimas como eles próprios, das mais distintas e corajosas de nosso país.

E foi assim que estes três irmãos conseguiram gravar de maneira indelével seu nome na parte boa, louvável, da história de nosso País. Foram adeptos da idéia de que, diante da necessidade de se interferir na vida de seres tão especiais como os índios, deveriam fazê-lo com o máximo cuidado e respeito, de maneira que durante as expedições, a ordem era para que nenhum tiro fosse dado, ainda que sob ataque. E isso foi muito bem conduzido por Orlando. Se por um lado os índios brasileiros sofreram com a chegada do branco, por outro lado, este sofrimento foi muito menor do que poderia ter sido se a campanha não estivesse sob o comando de gente tão especial quanto os Villas Bôas.

Foi então, a partir da idéia destes homens, que foi criado o Parque Nacional Indígena do Xingu, em 1961 (eu estava à época com 6 anos de idade), cujo nome atual é Parque Indígena do Xingu, com área aproximada de 2.800.000 ha, onde ficaram preservadas catorze etnias indígenas englobando cerca de 5.500 índios.

Portanto, quando comecei a acompanhar o assunto, o Parque já estava implantado, mas nem por isso deixei de sentir-me presente ao ler entrevistas e relatos de Orlando e Cláudio em jornais e programas de televisão, relatando os acontecimentos e percalços pelos quais tiveram de passar desde os primeiros passos da expedição até a conclusão da idéia de criação do Parque.

Sabedor de que muito difícil seria conhecer pessoalmente a uma aldeia indígena do Xingu em sua essência (não me interessava uma visita turística, isso, não!), acabei conformado, mas não esperava que um dia o destino me colocasse diante de um especial amigo que viria isso me proporcionar.

Ano passado estivemos pescando no rio Xingu, hospedados no Rancho Xingu, sob a impecável direção de nosso amigo Atá. Durante minha estadia por lá, soube que houve uma expedição de alguns pescadores até a aldeia Kuikuro, mas não me atrevi a demonstrar interesse vez que sabia que isso poderia ser complicado e poderia estar trazendo alguma dificuldade para Atá.

Diante desta minha observação em um relato aqui nos fóruns de pesca, Atá me disse que se eu tivesse comentado com ele, teria conhecido a aldeia naquele mesmo dia. Mais que isso, espontânea e diligentemente, comprometeu-se a levar-me à aldeia, o que muito me impressionou.

E não é que o danado fez mesmo isso? Há uns seis meses avisou-me desta nossa viagem para o Rancho Xingu e que se eu fosse seria quando me faria chegar à aldeia. Achando que isso poderia ser un tanto trabalhoso agradeci a oferta, dizendo para que ele não se preocupasse com isso, mas abnegado que é, não deixou-me opção: "Bomediano, você vai à aldeia Kuikuro!"

Com isso, partimos para uma viagem de uma semana, que envolvia pesca, mas que para este servidor, foi mesmo de aperfeiçoamento espiritual.

O rio Xingu e seus formadores têm um aspecto único, com mata ciliar muito bonita e impressionante. As margens são, ora guardadas por matas de transição e de galeria, ora guardadas por belíssima vegetação de cerrado. São rios que proporcionam pescarias memoráveis, sempre prazerosas e não decepcionam aos que suas águas navegam. No Xingu, a vida explode! Uma hora, oferece um peixe, outra hora, oferece curiosas imagens de animais. Quando não se vislumbra nada mais de especial, vem aos nossos sentidos suave e distinto perfume de flores e se as vemos somos agraciados com um show de cores. E se não vem um determinado perfume, outro comparece; e se estes se ausentam, vêm imagens de grandes e maravilhosos jatobás e cambarás. Se estes não comparecem, cuida a Diligente Mãe Natureza Xinguana de criar algum fato novo, sempre distinto, fazendo passar à nossa frente, algumas araras ou outras aves. Ah, mas que lugar especial!

Eis porque não há monotonia naquelas paragens:

A gratificante imagem de um jatobáHymanaea stilbocarpa.

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Pela manhã o rio se cobre de neblina por conta do frio que faz, mas algumas horas depois, o calor já é de matar!

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A fauna é de espetáculo. Aqui, um lagarto sinimbu ou iguana – Iguana iguana.

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Uma família de ariranhas na porta de sua toca

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Um macaco-prego num jatobá

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Jacarés não faltam

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Umas paisagens mais do rio Kuluene, Sete de Setembro e Xingu

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Na pescaria, sacamos todos, muitos peixes: tucunarés, bicudas, cachorras cacharas, jurupenséns, jurupocas, corvinas, matrinxãs, piranhas e outros mais. Não juntarei todas as fotos porque são muitas, mesmo, de muitos peixes, sobretudo de tucunarés! Mario, meu irmão, teve sua isca enroscada em um grande poraquê, de maneira que retiramos o anzol com muito cuidado. Creio que com estas fotos conseguirei expressar melhor o que passamos:

Alguns dos muitos Tucunas capturados

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Outros peixes

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Nosso guia, Pedro, Grande Caboclo!

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E foi durante a pescaria na tarde da segunda-feira que vimos aproximar-se de nós um barco trazendo D. Zuleika, esposa de Atá. Pela especial pessoa que é, somente sua presença já nos trazia um gosto, mas ela ainda portava a notícia de que no dia seguinte iríamos à aldeia! O coração levou um impacto, de maneira que andou batendo irregularmente a ponto de fazer-se sentir alguma arritmia. E foi assim que recebi aquela notícia! E foi também com olhos encharcados que agradeci, percebendo que a hora se aproximava... Ô caipira danado de besta! Desgramado de coração mole! A única coisa que não estava perfeita é que o Grande Atá não nos acompanharia. Quem me levaria até lá seria o Grande Oscar, não menos diligente que o primeiro!

A noite foi das mais longas que passei em minha vida! Maldição de relógio que insistia em demorar mais que o normal para fazer a contagem do tempo. Mas inexorável, o tempo passa e, ainda que a noite possa ter parecido uma eternidade, chegara a hora!

Partimos bem cedo para tentar ver alguns animais nas vastas pastagens naturais das terras xinguanas. Uma coisa que muito me impressionou foi saber que nosso amigo Atá preferiu deixar suas terras da mesma maneira que sempre estiveram, ou seja, estão preservadas. Desta maneira, dentro da área podem ser avistadas grandes planícies com pastagens naturais, de vários tons de cores, áreas de cerrado denso e de matas de transição, com imensos buritizais nas áreas alagadas. Um ecosistema perfeitamente integrado.

No caminho uma majestosa concentração de buritis (Mauritia vinifera)

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As grandes planícies de pastagem nativa da região do Xingu

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Ainda que a foto não lhe faça justiça, não resisti em fotografar esta planta bastante rara.

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Vimos também alguns animais como estes

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Chegamos à primeira aldeia, chamada Paraíso e que está ainda em implantação, cujas características diferem um pouco das originais, mas se por um lado estas características interferissem na imagem das casas, por outro lado, nada retirava das pessoas suas características índias, de maneira que ao chegarmos já se podia notar ali, a hospitalidade dos índios. Confesso que neste momento senti algo de desapontamento, pois a imagem além de não corresponder à esperada, não era também agradável. Longe de assemelhar-se a uma aldeia indígena, parecia mais um assentamento de pessoas sem-terra, muito desorganizada, aparentando muito pobre. Mas para compensar, as especiais pessoas que ali vivem contribuiram sobremaneira para afastar de vez esta primeira má impressão.

Os índios se aproximam

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Uma indiazinha muito bonita com nome de branca: Mariana.

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A memória me trai, mas creio que esta linda menida seja Irmã de Mariana

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Um garoto com bastante intimidade com a máquina fotográfica. Ao fundo, meu amigo Carlos Alberto Santoro

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Com Ausuki, um índio bastante atencioso, com o qual já havíamos conversado na pousada.

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Importando-me menos com fotografias e centrando-me mais na obtenção de conhecimento, indaguei sobre alguns costumes e perguntei se tinham milho índio para que me arrumassem algumas sementes. Prontamente, uma índia, Kahalá, correu buscar uma espiga oferecendo-me com viva alegria nos olhos. Aproveitei então, para saber mais sobre ela. Casada com Nahum, terceiro cacique da aldeia em implantação, vive ali com sua irmã, Anaí e são filhas do Cacique Yacalo, da Aldeia Kuikuro, que iríamos visitar.

As índias Anaí e Kahalá, filhas de Yacalo, cacique da aldeia Kuikuro

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Pediu-me Kahalá que portasse um recado a seu pai, dizendo que estava tudo bem com ela e a irmã.

A estrada apresentava trechos, que embora acidentados como este, não ofereceram maiores entraves que o devido cuidado na passagem

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Partindo da aldeia Paraíso, após mais uma hora de viagem chegamos à Aldeia Kuikuro. Logo ao entrar na pista de pouso, este incomparável amigo, Oscar me avisava para preparar o coração pela imagem que iria ver. Ah, mas já era tarde! O desgramado do coração já batia todo errado de novo! A fala recusava a sair e quando saía, falseava! E foi com tremedeira que adentrei a aldeia, sem nenhuma vergonha de sentir lágrimas brotarem dos olhos. Afinal, aquele menino, agora com 52 anos de idade, realizara seu sonho! E foi com um abraço que agradeci a Oscar, pois ele, conjuntamente com Atá, é que me proporcionaram aquilo tudo!

Índios apareciam de todos os lados, sempre com o corpo muito bem decorado com tinta extraída de urucum e jenipapo, com um colorido excepcional. Primeiro precisei passar por um período de adaptação e assimilação da enorme quantidade de informação visual que meu cérebro tinha de processar, o que levou alguns minutos. Crianças "brotaram" de todos os sítios! Que rostinhos lindos tinham!

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As ocas são enormes! Apesar de já as conhecer de vídeos e filmes documentários, jamais imaginei que fossem tão gigantescas!

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O engenhoso sistema de construção é surpreendente! Não usam nada do homem branco, senão apenas amarrações nas madeiras.

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Logo em seguida, vimo-nos seguindo Yacalo que nos ciceroneava pela aldeia fornecendo informações genéricas. Levou-nos a uma casa de alvenaria – a única da aldeia – que servirá de sede para uma ONG que estão criando eles próprios. Ali, fez-nos uma interessante palestra audio-visual, que muito ajudou a compreender a situação dos Kuikuros no momento. Aproveitei para conversar mais detalhadamente com os dois índios professores da aldeia, recebendo com muito gosto a notícia que, apesar de levar ensinamentos como matemática e língua portuguêsa aos indiozinhos, levam também a cultura ancestral, com ensinamentos da lingua Kuikuro transcrita para a grafia que conhecemos e das tradições da aldeia.

Depois disso, ficamos livres para andar pela aldeia, mas novamente centrando minha presença em obter informações, passei a conversar com Yacalo, cuidando, primeiro de desfazer-me do recado que portava. Contente com as notícias da filhas, agradeceu-me pela informação e convidou-nos a adentrar sua oca. Recebeu-nos em sua casa, como se estivéssemos em nossas próprias!

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Enquanto os demais saíram para ver a festa, permaneci sentado, conversando com o impressionante cacique por umas duas horas seguidas, quando aproveitei para retirar todas as informações possíveis sobre a vida índia. Uma coisa maravilhosa! Yacalo, ao contrário da impressão que as fotos possam causar é um homem de inigualável simpatia e educação. Em verdade, o que pude perceber é que os índios são gente especialíssima, sem par! Quisera eu ter a metade de presença de espírito que tem um índio! Mas, enfim, também deixei algumas recomendações muito especiais, sobre como os índios devem levar seu contato com os brancos e desta interação não restarem tão prejudicados. Ele apreciou bastante minhas ideias e eu resultei bastante feliz por ter podido deixar um pouquinho de contribuição para eles.

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Sempre guardarei esta especial foto como recordação pela alegria com que nos conhecemos, Yacalo e este servidor.

Enquanto conversávamos, as duas mulheres do Cacique preparavam comida, especialmente beiju e peixe assado. Aqui, Agahuvuru, uma delas, mãe de Kahala (da Aldeia Paraíso), preparando a mandioca enquanto a tapioca já pronta assava no fogo.

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Ao lado dela, Ao mesmo tempo, Arifuá, a segunda mulher de Yacalo, preparava peixes para nosso almoço e ao mesmo tempo também preparava a mandioca para refeições futuras.

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Enquanto conversávamos a oca foi se enchendo de gente, uns a ouvir-nos, outros simplesmente para nos observar.

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Índias e seus filhos se aproximavam

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Outras simplesmente continuavam sua tarefa diária, mas sempre de ouvidos atentos.

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Enquanto turma se atentava em nossa conversa, outra turma se entendia com meus amigos, dentre eles, Betinho, que também muito apreciou a possibilidade de conhecer aquela gente sensacional. 

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Com a chegada de mais alguns companheiros que andaram fotografando a dança, almoçamos peixe e beiju. Ainda que esta refeição fuja totalmente dos padrões de nossa alimentação usual, comida é coisa sagrada e não pode ser recusada, de maneira que fartamo-nos, principalmente de beiju, que é algo simplesmente delicioso. E com este almoço, senti-me um pouquinho índio!

Lá fora, a festa já corria solta, mas eu acabei praticamente sem fotos, já que fiquei conversando com Yakalo e Família:

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Esta linda indiazinha surpreendeu-me olhando fixamente para a câmera, de maneira a render-me uma das melhores fotos

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Esta outra, simplesmente linda, estava pronta para a festa

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Yacalo mostrando uma foto onde se pode ver seu falecido pai e a sua mulher, Agahuvuru, ainda jovem. Vejam o colar que leva ao pescoço, feito de unhas de onças. Este colar é de uso restrito do Cacique!

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Como tudo que é bom dura pouco, chegou a hora da partida, mas como se não bastasse tudo o que aqui relatei, este dia ainda me reservava um mágico momento mais!

Na volta, quando paramos novamente na Aldeia Paraíso, novamente os índios juntaram-se a nós e dentre todos, ouvi chamarem meu nome! Tratava-se Kahalá, filha de Yacalo de quem portei a mensagem para o pai. Vinha acompanhada da irmã Anaí e do marido, Nahum. Disse-lhe que havia passado seu recado para Yacalo e que dela ele falou que gosta muito! Com um belíssimo sorriso pediu-me para aguardar, saindo às pressas para buscar algo em sua casa. E com o mesmo sorriso, retornou trazendo-me uma esteira de presente! Ainda que tentasse disfarçar, este danado deste coração andou falhando novamente e foi com os olhos rasos d'água que lhe agradeci dizendo que nada tinha naquele momento para retribuir, mas perguntei se poderia dar-lhe um abraço e um beijo, sem sequer pensar se isso poderia vir a ser um problema, afinal de contas eu não conhecia aquela gente, de maneira que com isso, arrisquei-me a arrumar uma bruta encrenca. Mas que coisa mais bela é o espírito humano, que nos permite reconhecer manifestações sinceras de emoção, não importando muito se somos índios, brancos, pobres, ricos, reis, religiosos, escritores, etc., pois ela... aceitou! E ao dar-lhe um abraço e um beijo fui retribuído, além de receber também um abraço do marido! Aquilo foi simplesmente sensacional! Até agora me emociono ao escrever!

Saí de lá convicto de que os índios são as pessoas mais estupendas que o Senhor do Universo me proporcionou a chance de conhecer. Já sinto saudades daquela gente tão especial! Deus meu! Pudera eu ter uma pontinha de conhecimento que têm eles sobre a vida e o espírito humano e meu coração estaria mil vezes mais feliz!

Bem, este dia foi um dos melhores de minha vida! Agora posso dizer que entre os índios tenho alguns novos amigos, muito, muito especiais. Ficamos acertados de nos encontrarmos quando virem para São Paulo em 2008.

Depois deste dia seguimos pescando por mais três dias, mas então, nada mais poderia superar a overdose de emoção que me proporcionou a visita aos índios! Creio que posso dizer o mesmo em nome de meu fantástico irmão Mario, cujo coração também andou "falhando" na aldeia!

No sábado de manhã prestei minha homenagem aos rios xinguanos fazendo um agradecimento na barranca do Kuluene, no Rancho Xingu, pedindo às Forças Maiores do Universo para preservar aquilo tudo e sua gente maravilhosa. Colhi mais um pouquinho de terra para minha coleção e despedi-me do lugar.

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Terminada a jornada, veio a hora de voltar para casa, voltando com espírito renovado, um pouco índio e gratificantemente menos "civilizado".

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Bom, amigos, agradeço a todos que tiveram paciência de ler até aqui.

A todos do grupo que me acompanharam na viagem, meus sinceros agradecimentos, sem deixar de dizer que a mim me encantaram pela tremenda capacidade de boníssima convivência pela qual passamos.

Contudo, restam duas homenagens.

Por mais que escreva não conseguirei fazer justiça a um merecimento. No entanto, tentarei! Devo então, muito, mas muito mesmo, agradecer a este homem:

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Atahualpa Catalán, o Grande Atá, por tudo que se empenhou para fazer com que minha visita aos índios se transformasse de um simples sonho de um menino em uma verdadeira aventura de um pescador cinquentão!

Muito Grato, Grande Atá, amigo meu! Que o Grande Criador, Senhor do Universo, abençoe a você, sua família e à sua estupenda pousada.

Outro caboclo a quem fiquei muito devendo, foi meu amigo Oscar! Muito grato Grande Oscar, que foi o "encarregado" de nos levar, a mim e meu irmão, até aquele paraíso e que soube muito bem assimilar o que se passava em meu peito naquele dia.

Valeu, Grande Oscar!

Espero que gostem do relato, pessoal!

Bome

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Muito linda tua descrição;confesso que viajei na história como se estivesse vivendo-a. Baita experiência de vida e o local e as fotos simplesmente fantásticas. Parabéns, quem dera todos pudessem viver uma experiência destas. Abraço.

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Grande Bomediano!

Como é agradável acompanhar um relato de quem é amigo das letras, e, com emoção, nos transporta para o meio de uma aldeia indígena.

Parabéns pela pescaria e pela sensibilidade.

Obrigado pelo relato.

Abraço,

Eduardo.

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Putz Bomé! Me deu vontade de chorar por não poder estar lá com vocês.

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É esse forum tem pessoas que a cada instante fazem brotar surpresas muito agradáveis de se ler.

Acho que o Tuba quando idealizou o Pescaki não imaginava que poderia juntar tantas pessoas com relatos tão marcantes como esse.

Espero que esse forum tenha uma vida bem longa :simsim:

E parabéns pelo relato :plamas:

Eduardo Adami

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impresionante relato me has dejado shoqueado que beleza de relato que buenas fotos maravilla mi amigo maravilla. felicitaciones

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Olá Bomediano!

Parabéns pelo sonho desejado e agora realizado.

Ler este relato sobre o Xingu, através de seu olhar curioso de um grande observador e sensivel,

com este dom das palavras escritas que você tem - não tem como não me sentir lá e me emocionar durante a leitura.

Obrigada pelo relato e um abraço,

Bel

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Grande Bomediano!!!! Maravilhosos momentos que passaram e de maneira espetacular dividem conosco!!Obrigado pelas fotos e pela sinceridade do relato. :plamas::plamas:

Quanto aos Irmãos Vilas Boas sou fã incondicional do trabalho que prestaram e o livro " A Marcha para o Oeste" é sem dúvida um dos meus preferidos.

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Grande BOME !!!

Confesso que fiquei emocionado com seu relato , fotos e tudo o mais.

Obrigado por todas as aulas de pesca ,natureza, e convivencia que voce nos deu no Rancho .

Abraçao

Xincha

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Guest Atá

Bome e Mario.

Não sei o que falar, fiquei muito emocionado com seu relato.

QUEM TEM QUE AGRADECER SOU EU.

MUITO OBRIGADO.

Atá.

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Domingos..

Parabéns e obrigado por compartilhar conosco uma história linda como esta...confesso que olhando as fotos me senti também com se estivesse la...

Abraço

Fabio Deli

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Grande Domingos,

Incrível como olhos podem ver a mesma coisa e extrair da visão sentimentos e conclusões totalmente diferentes.

Desta viagem dentre muitas outras coisas, percebi o quão são foras de série dois camaradas, digo, voce e o Atá.

Meus agradecimentos aos dois amigos.

Em tempo: a indiazinha realmente é linda.

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Sensacional Bomediano. Atá sempre aprontando. rs. Segunda-feira estou indo pra Aldeia e vou ficar lá até o dia 22. Pena que vou trabalhar....tenho que pescar 3 dias para a festa.

Parabéns Atá, Bomediano e meu amigo Oscar.

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Simplesmente SENSACIONAL!!!

Parabéns Bomediano, não há nada melhor na vida que realizar um sonho!

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Bomediano parabéns, não consigui ler tudo ainda , não deu tempo, foi uma bela pescaria.abraço

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Poxa TiO!

Que prazerozo ler este relato, que facilmente se confunde com um ótimo livro!

As fotos complementam-no de maneira impar... maravilhoso, e parabéns a todos que lhe proporcionou esta oportunidade, de realizar este grande sonho! Parabéns!

Ps. Tu anotou os nomes dos indios, ou a cachola guardou tudo?

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Sensacional

Obrigado por compartilhar tudo isso conosco.

Abração

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Obrigado por dividir conosco essas emoções...

Valeu :ok:

Um abraço

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Grande amigo... é com imensa alegria que leio todo o relato.... embora já o tivesse ouvido atentamente naquele domingo a tarde da sua volta, na sua casa....

Lendo ainda consigo ver vc absolutamente emocionado, extasiado, como naquele domingo a tarde... é muito bacana...

Deixa eu te contar uma coisa que eu e a Luma conversamos naquele domingo ainda.... quando saíamos da sua casa...

A Luma brincava com o seu "medo" do seu ato de ter "agarrado" (e beijado!) a índia ter sido mal interpretado e seu "medo" de que tivesse cometido uma "gafe" com os índios ou coisa ainda pior, como falta de respeito e etc.... aí falei pra Luma o seguinte:

"Luminha.... o Bome tem o coração estampado na cara e nos olhos.... não tem como alguém interpretar mal qualquer coisa que ele faça..."

E digo sempre também que vc tem o coração estampado na ponta da caneta... ou no teclado.... é incrível como lendo este relato nós conseguimos "ouvir" vc contando toda esta história...

Meu amigo... um grande abraço repleto de admiração e carinho....

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Bomediano, estupendo o teu relato, com sinceridade fiquei impressionado, você tem o dom de fazer com que entramos nas suas palavras, parece que estamos lá, como disse o Paulo logo acima, nós conseguimos "ouvir" teu relato.Que Deus te guie em teu caminho sempre.Fiquei muito feliz e grato por poder ver e ler essas belas palavras e fotos que você colocou aqui e a cada dia que passo na minha vida fico contente por saber que neste mundo ainda existe pessoas igual a você. Um grande abraço e meus parabéns.

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Caramba, emocionado fico eu ao ver o quanto o relato agradou! :blink:

Agradeço, de coração a todos, pelas carinhosas manifestações!

Lamentavelmente, esta claudicante cachola impediu-me de contar o lance do abraço e beijo que dei em uma índia (esta que Paulo comenta em seu post), que seguramente foi a passagem mais emocionante de toda esta estória! Para que não fique isolado do texto, inseri dentro do relato, de maneira que já está lá a estória.

Peço desculpas aos amigos por este esquecimento, fazendo com que retornem ao texto para tomar conhecimento. :unsure:

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Magnífico relato, muito emocionante e fotos lindas!

Parabéns por esse sonho realizado e muito obrigado por postar esse ralato com essas fotos extraordinárias para podermos apreciar.

Abraço! :plamas::plamas::plamas:

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Maravilhoso relato, realmente emocionante!

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BOMEDIANO, QUASE QUE EU NÃO TINHA VISTO SUA HISTORIA, CONFESSO QUE FIQUEI IMPRESSIONADO PELA SUA EXPERIÊNCIA E TAMBEM PELA SUA SABEDORIA EM CONTAR E NARRAR ( VC ESCREVE MUITO BEM), AS FOTOS SÃO IMPRESSIONANTES, MEU SONHO E PELOS MENOS CHEGAR PERTO DESTES LUGAREM POR ONDE VC ANDOU..MUITO OBRIGADO POR DIVIDIR ESTA EXPERIÊNCIA CONOSCO!!

E AINDA TEM GENTE QUE QDO VIAJA VAI PRA FORA DO BRASIL...

PARABENS

ABS

JP

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