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Mauricio.

A vida simples do campo...

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        Quem vê essa gravura, normalmente apenas imagina superficialmente o que seria viver em cavernas naquele tempo perdido do passado. Essa deveria ser uma realidade muito comum por dezenas de milhares de anos de nossa pré-história. No entanto, como seria? Vamos imaginar entrando em uma caverna e sendo recebidos por uma grande família de homens de Neanderthal...

       A entrada da caverna deveria ser, de alguma forma, protegida. Talvez com galhos e peles, talvez também uma boa quantidade de folhagem morta e terra reduzindo a abertura de forma a evitar que outros habitantes do local também achassem que seria uma boa idéia viver por lá. Afinal, ser acordado por um urso, um leão ou uma hiena não era das melhores formas de se ter um lindo despertar.  Algumas caveiras de animais estrategicamente colocadas aqui e ali davam um toque final à decoração externa no melhor bom gosto de época.

        Ao adentrarmos, com um certo receio, afinal, já que há provas de que muitos desses grupos tinham uma certa atividade canibal, deixemos nossos olhos se acostumarem pouco a pouco com a escuridão. Mas o mesmo teria que ser feito com nossas narinas. Dentro, um cheiro terrível de fumaça, misturado com carne queimada, ossos chamuscados, urina e fezes de crianças (sim elas sempre fizerem muito disso) e, talvez, de adultos também. Afinal, sem a menor dúvida que a depender do tempo lá fora, ninguém iria enfrentar o vento gelado e a neve para fazer suas necessidades fisiológicas em um monte mais distante. Os fundos da caverna estavam lá para isso mesmo. E papel higiênico não era algo nem ao menos sonhado.

        Além disso, deveria também se acostumar com o cheiro corporal. Infelizmente, a água quente corrente ainda não tinha sido inventada. Banhos seriam viáveis somente quando os rios e lagos descongelassem e as peles que eles usavam deveriam ficar em um estado deplorável no final do inverno. Isso se é que tinham o costume de lavar alguma coisa, o que também é um tanto improvável.

       Assim que os olhos se acostumassem, um olhar pelos arredores mostraria muita coisa. Gente deitada ou sentada, crianças correndo para lá e para cá brincando ou se metendo em confusão (realmente muita coisa nunca mudou), uma fogueira central sendo constantemente alimentada com uma considerável quantidade de galhos secos, já que todo mundo que tivesse de sair por qualquer motivo estaria automaticamente encarregado de voltar com uma braçada deles.

        Continuando: gente conversando em voz baixa, um que outro deitado perto do fogo. Alguns com ferimentos, sendo tratados pelos outros com os cuidados médicos possíveis para a época, e que consistiria em ervas curativas conhecidas pelos mais velhos, alguma comida, água e ficar quieto até passar.  Muitas peles e ossos de animais, as primeiras para forrar o chão e servirem de vestimenta, os ossos para se fazerem instrumentos do dia a dia.

         Como o curtimento de peles não deveria ser uma técnica muito conhecida, as mesmas deveriam ser mantidas macias pelo método mais antigo, que consistia em mastigação constante das mesmas. Coisa que os mais velhos deveriam se encarregar, já que não teriam mais fôlego para sair para caçar com os mais jovens. Isso enquanto ainda tivessem dentes. Depois, lhes sobrava a inutilidade e o desprezo.

        Com certeza muita coisa era feita de madeira e outros materiais perecíveis, como cascas de nozes, sementes, mas como essas coisas têm pouca durabilidade ao tempo praticamente nada sobrou para nós vermos agora. Apenas o que era de pedra, osso e marfim teve chance de sobreviver às eras e alguns exemplos estão nos museus pelo mundo. As crianças, com sua imaginação e como é comum até hoje deveriam fazer seus próprios brinquedos. Um osso de coluna ou uma pedra seriam um mamute e seu caçador. Uma casca de noz seria uma tartaruga e assim por diante.

       Enfim, restava receber a hospitalidade dos moradores. Que deveria se resumir a apontarem um canto onde poderíamos ficar e oferecerem alguma carne assada nas brasas que, com sorte, foi preparada naquele mesmo dia. E com mais sorte ainda tivesse sido morta recentemente e não no mês passado. E nada de reclamar que estava dura, afinal, mamute não deveria ser criatura conhecida pelo seu macio filé. Por isso que os órgãos internos deveriam ser disputados a tapa após uma caçada, já que normalmente muito mais macios que o resto do dono. Possivelmente, a depender do animal, fosse a única coisa que era possível comer, como sabe todo mundo que já experimentou carne de uma vaca velha.

         Depois da refeição, chegaria a hora de um pouco de diversão. Talvez uma animada conversa no idioma local para se saber o que acontecia depois das colinas. Ou se os leões ainda viviam naquela outra caverna do vale. Talvez uma demonstração de força, em que o morador dominante quisesse te mostrar uma ou duas coisas que ele sabia sobre como derrubar um oponente com um tacape. Talvez as mulheres locais o achassem muito atraente, em um tempo sem muitas cerimônias nas coisas em que se desejava. Ou, como já foi dito, talvez todos estivessem pensando no inverno ainda terrível lá fora e o olhassem com certo interesse alimentar.  

        Seria, realmente, um enorme contraste com as nossas vidas atuais, cheias de facilidades e tecnologia. Assim, toda a vez que vejo meu prato no restaurante de quilo fico um tanto pensativo. Não, não nos homens das cavernas. No quanto vou pagar. Será que meu cartão estourou?

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25 minutos atrás, Mauricio. disse:

Será que meu cartão estourou?

:rotfl2:Essa é uma das questões em que mais tenho pensado ultimamente...

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Então estou certo!

Sempre tenho discursado da necessidade desta sociedade moderna e desprezível dos valores, retornar as suas raízes... mas não tão profunda assim como na gravura , talvez no inicio em que iniciou se a modernidade tecnológica atual... quando médicos eram sábios pela formação e conhecimento pratico, não os virtuais...retrocedendo no tempo...foi ontem!

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É... o problema maior é mesmo o diabo do cartão! :rotfl2:  Bela reflexão, Grande Mauricio! :clapping:

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