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Turma tudo bom? Espero que sim. Vou colocar aqui uma historinha, já aproveitando para agradecer a todo mundo que também aqui posta um causo, que como diz o povo: "ajuda a distrair". Meu muito obrigado a todos vocês que passaram aqui pra contar uma história, deixar um causo, ou aqui deitar um poema. Obrigado eu não estava sozinho enquanto lia as suas histórias, estava muito bem acompanhado por vocês. Uma abraço do seu colega Bolão, daqui, do interior de Minas.

 

 

À Meia Luz

 

 A rua era extremamente cumprida e retilínea, a escuridão baça da noite se matizava a iluminação alaranjada dos postes. A opacidade nevoenta do ambiente não era propriamente provocada pela neblina, era uma mistura do sereno noturno com a fina poeira levantada pelos automóveis.

Os postes perfilavam homogeneamente dos dois lados da via, fincados nas calçadas mal cuidadas, cheias de buracos e com ervas daninhas formando tufos, dando ainda mais a impressão de desleixo.

A rua era povoada por pequenos bares, quase todos mal iluminados, apinhados àquela hora, tendo alguns até mesas espalhadas na caçada, pelo lado de fora. Havia também, intercalando os botecos “copo sujo”, barbearias e açougues compondo assim aquela parte da urbe. A transição entre estes três tipos de comércio, bares, açougues e barbearias não era propriamente visível, era um tanto quanto “oufável” se é possível o neologismo.

Das barbearias, mesmo fechadas àquela hora, se desprendia um cheiro forte de espuma de barbear vagabunda; O cheiro quase a tornava sensível ao tato: branca, densa, sempre dentro de uma pequena vasilha de alumínio encharcando um pincel de barba velho. Dos açougues, havia na melhor das hipóteses cheiro de carne fresca. Das carnicerias maiores, aí havia o cheiro nausebundo de queijos velhos e carne já passada, um cheiro que ficava entre o azedo e o metálico do sangue.

Naquele horário o odor predominante era o dos bares. É um cheiro peculiar e para quem já o sentiu anteriormente, quase nostálgico. É uma mistura curiosa, predomina o cheiro da fritura; um cheiro de fritura velha, logo esse cheiro se mistura com a cachaça que corre solta à nos botequins àquela hora. Finalmente, para definir o aroma há no fundo de tudo isso há alguma coisa de balas ou doces que também são vendidos e ficam armazenados na parte de baixo dos balcões de fórmica envidraçados.

Andando por ali especialmente assim, à noite, ainda é comum receber um ou outro “aerosol” de fumaça de cigarro no rosto ou sentir o cheiro denso, de petróleo que sai do escapamento dos caminhões à diesel, que movimentam ainda a rua neste horário, transportando carvão ilegal, proveniente de áreas onde possivelmente o desmatamento foi feito sem autorização, o fato que leva estes caminhões andarem só depois que escurece.

Os frequentadores da rua são notívagos, quase nove da noite, por isso já havia certo burburinho. Resumidamente, com a escuridão apareciam operários, pedreiros com o rosto queimado pelo sol, chapas de caminhão (verdadeiros estivadores) pilhas gigantescas de músculos, caminhoneiros ostentando barrigas proeminentes indelevelmente de bermuda e chinelo, aposentados já idosos também frequentadores do lugar.  Gente pobre, de cor pardacenta, nunca branca o suficiente pra parecer rica ou suficientemente limpa perante as demais classes sociais para ser-lhes permitido frequentar os ambientes da “gente de bem”.

 As pessoas papeavam animadamente, encostadas nos balcões ou displicentemente sentadas nas cadeiras; as mesas repletas de copos de cerveja e garrafas pela metade. Havia sempre o som de risadas escandalosas, etílicas; a conversa era alegre vez ou outra embalada pelo som de algum rádio ou imiscuída com o som das televisões ligadas, embora, ninguém estivesse prestando atenção seja na música seja nas notícias lidas pelo âncora do jornal.

A rua era um espetáculo, que a maioria das pessoas não gostava de assistir: Um bando de gente mastigada pela vida que por isso ganhou essa aparência feia, que fazem virar o rosto, as mocinhas que passam de carro com os namorados. As travestis e prostitutas eram as que mais chocavam afinal de contas, por mais que estivessem encravadas naquela massa de gente vagando pelos botecos, sempre suas roupas bastante chamativas e sua dualidade mal compreendida, ofendia o senso moral de quem tem uma visão unilateral do que é “o certo”. Para essas pessoas, aquilo era errado, muito errado.

 Aquele é realmente um bom lugar para as pessoas de classe média se concentrarem ainda mais na tela do celular e se esquecerem do que as circunda: Ao fim e ao cabo, aquela realidade oferecia aos olhos apenas uma paisagem humana dantesca, acre; feia mesmo, que em nada se parece com os glamorosos filmes de terror hollywoodianos. O terror à brasileira não é tão bonito, porque é mais real.

Por ali ele ia caminhando tropeçando naqueles passeios esburacados, se desequilibrar era uma regra. Mas não tropeçou. Finalmente chegou à frente da casa velha. Viu pela fresta daquela porta de madeira com sua tinta verde descascando, aquela luz amarelada que irradiava de uma lâmpada incandescente que pendia precariamente pelos fios do teto de laje. Ali ela iluminava o corredor onde no chão ficava o hidrômetro azul.

 Empurrou a porta e foi entrando, pisando no chão de ladrilhos de cimento, sentindo que havia areia da rua na sola dos sapatos. Bateu um pouco os pés para fazer a areia sair. O piso, branco não era; na verdade pelos anos estava bem encardido, todo amarelado, quase creme, a cor marrom dos motivos geométricos que decoravam o piso estava falhando e em alguns pontos. O piso tinha sido branco um dia, há muito tempo, quando ele ainda era criança. Ainda se lembrava bem.

Entrou e viu, lá no fundo, a coberta de telhas de amianto, outra lembrança da infância. Lá, perto do tanque estavam os dois: Um sentado pachorrentamente e o outro em pé de frente para o tanque de lavar roupa, mexendo em algo dentro do tanque. Viraram-se para ele surpresos, logo reconhecendo a visita inesperada. O visitante acenou com a mão e ouviu de volta um cumprimento semi-berrado:

_Opa meu filho! Não é possível! Seu pai não vem?

 Meneou a cabeça negando. E ouviu de volta

 _Tá bom assim mesmo, só de você aparecer aqui, já vale uai!

Sorriu para os dois. Sorriram de volta. Jogou a mochila da firma em cima da mesa de plástico Soltou o corpo despencando sentado na cadeira e fez um muxoxo expressando cansaço e relaxando o corpo. Finalmente falou:

_Poxa Seu Luiz há quanto tempo hein?!

_É meu filho tem uns três anos não tem?

_Tem sim, acho que tem mais..._ Observou o velho.  Seu Luiz era a figura central daquela cena: Camisa verde desbotada, com metade dos botões abertos, mostrando o peito largo. Uma barriga saliente e uma altura considerável de quase um metro e oitenta. Os óculos de lentes esfumaçadas sobressaiam, a armação prateada contrastando com a pele morena e queimada do idoso. O rosto retangular com um queixo largo, muitas rugas na pele que mais parecia um couro. Couro esse semelhante ao dos desgastados mocassins que usava junto com aquela bermuda jeans furada cheia de bolsos do velho

Ele era a metassíntese do sujeito parrudo com a voz forte e egolorada. Todos da turma o conheciam.  Antes de aposentar era peão de obra, um verdadeiro touro pra trabalhar, coisa que era denunciada pelos braços ainda musculosos e pelo busto larguíssimo que ainda sustentava apesar da idade de setenta e dois anos.

Na mão, tinha uma faquinha velha de cabo de plástico azul, que estava usando para limpar os lambaris, descamando-os e lhes tirando as vísceras. O cheiro de peixe fresco impregnava o tanque e atmosfera embaixo da coberta. Hora ou outra, parava a limpeza pra tomar um gole de cerveja da lata imundiçada pelas pequenas escamas dos peixinhos.

O rapaz se levantou, esticou o pescoço e mirou do tanque de lavar roupas:

_Seu Luiz quantos vocês pegaram?_ vendo o bojo do tanque com mais de 30 lambaris e chatinhas e ainda uns três carás.

_ Nós pegâmo uns quarenta e cinco, quarenta e oito, num contei assim certinho não.. Eu dei ainda uns vinte pra minha sobrinha fazer farinha pro menino dela._ O jovem fez uma cara feia parecia se lembrar da situação.

_Ele ainda está com aqueles problemas lá?...

_Ih rapaz! O menino vive com anemia, tadinho. Ela corta um dobrado com aquela situação. Mas também, ela foi envolver com vagabundo; tava esperando o que também?! Quando o cara dá pra ser vagabundo não tem jeito!

_ Uai, ele largou ela assim? Eles viviam brigando e tudo...

_Largô! Arrumou adêvogado e foi pra São Paulo, tem quase dois anos. Largou ela aqui com o menino. Nem pensão ele paga. Ela tá lá, morando com a mãe dela. Você acredita Claudinho?

_ É, tem jeito não... Coitada...

Ficaram calados, os dois. Foram interrompidos em poucos segundos pelos sons ásperos produzidos por um isqueiro. Sentado na outra cadeira, do outro lado da mesa, Valmir acendia um cigarro, prendendo-o nos lábios secos de idosos entreabertos e faiscando vacilantemente o isqueiro, duas, três vezes até acender. Tragou, puxou da boca o cigarro prendendo-o entre os dedos e falou:

_ O pior é que ela é nova, mas agora, com filho que homem vai querer? Quanto mais naquela situação... O menino fica direto no hospital; precisa de médico o tempo todo. Pode ser a mulher mais bonita que tiver por aí... A menina tem filho com problema, encarar um troço desses? Só se o cara for doido.

_Pior que é isso mesmo Seu Valmir. Eu não encarava.

_Mas você ainda é novo Claudinho, só se você fosse burro pra entra num negócio desses. Mas, naquela situação?! Nem cara velho, já separado, quer aquilo não. A menina é bonita que chega, mas ninguém encara assumir aquilo não. É ou não é Luiz?

_Pior que é! _Respondeu Luiz laconicamente, enquanto, de cabeça baixa, continuava concentrado na limpeza dos peixes. De relance olhou pro Valmir, magrelo, branco, bastante careca todo encurvado na cadeira. Ali já iam bem uns setenta e seis verões: Roupa de político da penúltima eleição, aquela botina preta toda fulminada. Depois viu Cláudio. Novo ainda, magro sem barriga, uns dentes fortes nariz cumprido. Camisa bonina da firma, forte nos auge dos seus vinte e quatro anos. Rapaz estudado.  Comparou os dois: “É... O que o tempo não faz (?)...” matutou. Despertou de volta pra realidade. A voz aguda do se fez ouvir novamente:

_Mas você ainda está lá pra São Paulo?

_Poxa Seu Valmir nem comentei, com vocês tem pouco tempo que eu mudei de lá. Terminei de estudar estou só por conta do serviço.

_Engenharia?

_Isso.

_ Você escolheu bem, tem muita necessidade de engenheiro. Seu pai foi na formatura?

_Deu pra ele ir não, o senhor acredita?

_Isso acontece. Tem muito tempo que eu não encontro com ele, com seu pai.

_Tem mais de quinze dias?

_Muito mais! Deve ter pra mais de um mês.  Não encontrei com ele nem pra chamar ele para ir comigo e com o Luiz hoje, no córrego. O Luiz é que viu ele outro dia não foi?

_Foi isso mesmo. Eu vi ele lá na rodoviária, mas tem tempo também. Deve de ter pra mais de quinze dias. Ele não me viu não.

_ Tem tempo que não falo com ele.

_Por causa de quê?

_Não sei... Tem muitos dias que eu não consigo conversar com ele... Mas... Mudando de pau pra cavaco, vocês não pegaram nenhum bagre, nem que fosse aqueles mandizinho amarelo?

_Pegâmo nada! Tava até bom de lambari, só que bagre nem pra remédio. Valmir comum é que é o nome daquele cara que nós encontramo lá?

_Lembro não.._pondo a mão no queixo ossudo_ Mas ele pegou uns três mandi prata. Chegou lá escuro ainda...

Silêncio novamente. Cláudio aproveitou o fim do papo e já foi se levantando arredando a cadeira e dando uma espreguiçada:

_Ó a conversa tá boa, mas deixa eu chegar pra lá. Tá na minha hora. Sinto que a turma já deve estar me chamando lá em casa. Deixa eu subir pra lá.

_Dá lembrança o seu pai e sua mãe. _O senhor Luiz disse isso enquanto batia com a mão cheia de escamas nas costas do rapaz.

_Bença seu Valmir!

_Deus te abençoe meu filho. Aparece lá em casa amanhã.

_Amém!

 Cláudio acenou com a mão e foi embora naquele passo gingado. Saiu fechando a porta. Rapidamente Luiz percebeu que o rapaz aparentemente não havia pego a bolsa.

_Valmir corre lá, grita ele, que ele esqueceu a mochila!

_Nossa mãe! Deixa eu correr lá pra chamar ele. _saiu desengonçado naquela corrida lenta e atabalhoada característica do idoso.

Abrindo a porta e olhando pros dois lados da rua não viu ninguém. “Esse rapaz só anda correndo” Pensou balançando negativamente a cabeça.

_Luiz amanhã você entrega ele_ disse enquanto voltava meio esbaforido pra cadeira.

_Não, olha lá, ele pegou a mochila sim, a gente é que não deve ter prestado atenção. O Claudinho é um menino bom mesmo né? O Mário deve ter orgulho do filho né?

_Ah! Com certeza! Vou ver se a gente combina pra ele e o Mário voltar com nós lá no córrego domingo. Aproveitar que ele tá por aqui na cidade.

_ Boa ideia. Amanhã quase sempre encontro com ele na feira e comento pra gente ir lá.

_ Não, você vai acabar esquecendo. Aqui, eu tô com o celular aqui na pochete. Vamo ligá de uma vez que aí ele já deixa tralha pronta. Depois você esquece de falar com ele, então vâmo resolvê de uma vez.

Com os dedos finos de velho Valmir foi apertando vagarosamente com o dedão as teclas do seu celular pré-histórico. Permanecendo em sua tarefa de costas para a mesa onde Valmir debruçava esperando a ligação ser atendida, Luiz permanecia indo com a faca de uma lado pro outro nas costas do lambari espirrando escamar pra tudo que é lado. Ma alteração na voz do companheiro ao telefone:

“Você tá doido Mário? Ele acabou de sair daqui?! Nós conversamos uns vinte minutos com ele [...] “Não Mário, não tem jeito não!” Diz isso quase gritando “O Luiz tá aqui também uai.”[...] Não eu não sabia, nem ele” O que?!! Um mês? Nossa mãe, que desgraça.”

Pelo tom da coversa Luiz achou melhor se virar para ver o que estava acontecendo e fica estarrecido com a cena. Valmir com a mão na testa, branco que nem cera, bagas de suor lhe escorrendo pela testa, a mão que segurava o celular tremendo. Enquanto se despede em voz fraca pelo telefone, faz uma cara feia como se estivesse tomando fel. Solta o telefone na mesa,  a boca entreaberta, sentindo um gosto pegajoso e amargo. Uma aparência de quem ia vomitar a qualquer momento.  

Assustado com a repentina mudança e pensando que o Valmir passaria pelo segundo infarto em dois anos pergunta pasmo e deseperado:

_ O que é que houve Valmir? Desembucha homem! Você tá me deixando assustado. Tá passando mal?

A voz do baixinho sai trêmula quase um sussurro, voz fraca, fraca:

_ Você lembra daquele ônibus que tombou vindo de São Paulo há uns quarenta e cinco dias?

_Lembro! Ele tomou barranco abaixo, morreu uma renca de gente. Me mandaram até foto daquele trem no celular. Que desgraça! Foi um troço horrível! _começa a sentir mal, suar frio, sente a testa e as costas umedecendo com o suor viscoso. O suor gelado do medo. Fita o amigo sentado ali que continua tremendo, os olhos lacrimejando, não de choro, mas de medo. A meia voz, escuta do companheiro, que nem consegue lhe encarar e olha de cabeça baixa pro chão de cimento:

_O Claudinho tava naquele ônibus. Ele morreu. O Mário falou que tem pra mais de mês que ele foi pra São Paulo, enterrou ele por lá em túmulo de parente. Não tinha dinheiro pra transportar ele pra cá, ficou por lá mesmo.

Luiz tentou se apoiar com o braço na mesa. Não deu certo, se desequilibrou e sentou de mal jeito na cadeira, largando ali seus mais de cem quilos. A cadeira foi torcendo os pés de plástico e partiu com um estalo. O velho foi caindo desconjuntadamente no chão. A vista ficou turva os óculos caíram do rosto no tombo. Achou que ia desmaiar pela primeira vez na vida.

 

 PS: Provavelmente ficou ainda algum erro de português. Perdoem-me, a Tia Creusa lá da escola bem que tentou coitada...

 

 

 

 

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Em 17/07/2020 at 10:57, Domingos Bomediano disse:

Muito bom, Hugo! :clapping:

De que cidade de Minas você é? :ok: 

Ô Seu Domingos tudo bão?! Muito obrigado!


Bem, eu sou de Lafaiete é bem distante de Alfenas, mas eu li esse causo, escrito pelo senhor, acho que tem uns dois meses que li mais ou menos. Achei muita graça na história inclusive.

Aqui mesmo deu-se um fenômeno parecido, numa lagoa chamada "Água Preta" onde aparecia uma luz misteriosa, isso devia ser pelo início dos anos de 1990, mais ou menos.

 Enfim, é uma história longa... Sei que até peregrinação teve pra ir ver a tal luz, a coisa acabou sendo caso de CEMIG...

Mas eu sou muito mentiroso, recomendo que ninguém acredite nos meus causos não. Faço eles com a receita na medida: Uma  colher de chá (rasa) de verdade para 28 conchas de sopa de mentira.

Grande abraço! Meu muito obrigado mais uma vez.

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2 horas atrás, Mauricio. disse:

Eita! Muito 10! :)

Valeu Maurício,  estou sempre lendo suas história incríveis aqui também. Obrigado!

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